A inveja do pénis e a inveja do clitóris e suas implicações políticas

Relaciono, neste artigo, a inveja do pénis com a inveja do clitóris, com suas implicações ao nível da fundamentação de sistemas políticos como o capitalismo, e o seu extremo fascismo, com características imperialistas, e como o comunismo, com características internacionalistas.

A inveja do pénis está relacionada psicanaliticamente com a angústia de castração, e com a descoberta da diferença anatómica entre os sexos, por parte da rapariga ( Laplanche & Pontalis,  1990 ), e com o sentimento de sobrecompensação narcísica ao nível do falismo, derivada do sentimento de perda, inferioridade, narcísica, relacionada com a falta do pénis, com consequências ao nível do estabelecimento e desenvolvimento de raiva narcísica.

Ora, politicamente, a sobrecompensação fálica, levada ao extremo, leva-nos ao expansionismo característico do imperialismo capitalista, fundamentando aquela raiva narcísica as características agressivas do militarismo imperialista.

Já a inveja do clitóris que, na comparação pénis-clitóris, se caracteriza pelo sentimento de subcompensação narcísica, há uma necessidade de tentativa de diminuição narcísica, tem características contrárias ao falismo. Esta inveja é tipicamente masculina.

Há uma capacidade de sofrimento, com identificação ao mesmo no outro, que leva à compaixão, e de fazer cedências, que leva à diplomacia. Esta diplomacia é típica do obsessivo. Também típica do obsessivo, numa linha mais genital do que o histerismo, este mais característico das mulheres, a subcompensação narcísica com a capacidade diplomática de fazer cedências, leva à reciprocidade.

Estas características obsessivas estão mais presentes em um sistema político como o comunismo, em que, particularmente, a reciprocidade leva à consideração da igualdade entre os povos e ao internacionalismo, típico do comunismo.

Ademais, considerando a sobrecompensação fálica mais tipicamente feminina e a subcompensação narcísica mais tipicamente masculina, é relevante notar que enquanto que, a sobrecompensação fálica deriva, particularmente, no desejo de ter um filho, o que baseará a grande importância atribuída à Maternidade, a subcompensação narcísica levará, no seu extremo, ao desejo de morrer, que pode ser o suicídio ou o desejo de prolongar a vida, já que se acaba naturalmente por morrer, em que paradoxalmente, quanto mais se vive mais perto se está da morte natural. Poderá ainda ser o desejo de lidar com a morte ou o que se passa após o fim da vida, em suma, a imortalidade. Uma das formas de lidar com esta questão é através da imortalidade simbólica, em que o indivíduo, para realizar-se, tenta e faz por deixar obra feita, particularmente, influenciando outras gerações na ausência física do indivíduo.

Termino, relativamente ao tópico da imortalidade, e comparando os sistemas políticos do Capitalismo e do Comunismo, indicando que tipicamente o Capitalismo se caracteriza por um sistema religioso, considerando a vida eterna no Paraíso, após a morte do indivíduo, enquanto que o Comunismo se caracteriza por um sistema ateu, considerando o " Paraíso na Terra ", a ser alcançado pelos homens. Faz algum sentido os ditos comunistas Hasta la Victoria, ou seja, Até à Vitória, e um particularmente português, 25 de Abril Sempre, referindo-se à Revolução dos Cravos, anti-fascista, que ocorreu em Portugal, a 25 de Abril de 1974.

Bibliografia
Laplanche, J. & Pontalis, J. B. ( 1990 ). Vocabulário da Psicanálise ( tradução portuguesa ). Editorial Presença. Lisboa

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