Linguagem corporal como ferramenta auxiliar na detecção de psicopatas – Parte 01

Irei dividir este artigo em duas partes (ao menos), nesta primeira parte falaremos do conceito acerca da psicopatia, e posteriormente, demonstrar como é possível a utilização da expressão facial como ferramenta auxiliar na percepção desta patologia.

Olá,

Gostaria de desmistificar primeiramente a imagem de que psicopatas são sempre assassinos impiedosos (como os seriais killers por exemplo), e que na verdade eles estão introduzidos na sociedade assim como os "não portadores" desta patologia.

Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, refere-se a distúrbio da personalidade, com predominância de manifestações sociopáticas ou associais, e ainda,

"distúrbio da personalidade caracterizado pela inobservância das obrigações sociais, indiferença para com outrem, violência impulsiva ou fria insensibilidade. Há grande desvio entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento é pouco modificável pela experiência, inclusive as sanções. Os sujeitos desse tipo são frequentemente não afetivos e podem ser anormalmente agressivos ou irrefletidos. Toleram mal as frustrações, acusam os outros ou fornecem explicações enganosas para os atos que os colocam em conflito com a sociedade" (Debray, 1982).

Psicopatia, conforme Martha Stout define "é o termo mais popular para nos referirmos à sociopatia, distúrbio que se caracteriza pela falta de consciência e que é bem mais comum do que imaginamos, atingindo uma em cada 25 pessoas. Entre seus principais "sintomas" estão: incapacidade de adequação às normas sociais; falta de sinceridade e tendência à manipulação; impulsividade; irresponsabilidade persistente e ausência de remorso."

Contrariando a afirmação da caracterização padrão que temos no nosso imaginário, acerca deste distúrbio (daquele assassino cruel), gostaria de citar mais um trecho do livro "Meu vizinho é um psicopata", no qual demonstra através de estatísticas, o quão susceptíveis estamos:

"Mas o que esses 4% realmente significam para a sociedade? Consideremos as seguintes estatísticas para os problemas de que ouvimos falar com mais frequência: estima-se que a taxa de distúrbios alimentares anoréxicos seja de 3,43%, e eles são considerados quase epidêmicos. No entanto, esse número é menor do que o índice de ocorrência do Transtorno da Personalidade Antissocial. Os distúrbios classificados como esquizofrenia acometem apenas 1% da população – um quarto da incidência da sociopatia – e, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o câncer de cólon, cujos índices são considerados "alarmantes", atinge cerca de 40 em cada 100.000 indivíduos – 100 vezes menos que a personalidade anti-social. Para re sumir, há entre nós mais sociopatas do que pessoas que sofrem de anorexia, quatro vezes mais do que esquizofrênicos e 100 vezes mais do que vítimas de câncer de cólon."

Evidentemente que estes 4% citados pela autora, não são assassinos em série ou pessoas com outros distúrbios evidentes, estão incluídos aí portadores com menor grau desta patologia, pois a mesma varia do grau mais leve até o grau mais crítico.

1.      Psicopata comunitário ou de grau leve:

"Eles são os psicopatas mais comuns, tendem a exibir poucos critérios e são aqueles que dificilmente matam; entretanto, são os mais difíceis de serem diagnosticados porque tendem a se passar despercebidos no ambiente social, caracterizando o "psicopata comunitário". Geralmente, possuem inteligência média ou até mesmo maior que a média, mas são frios, racionais, mentirosos, não se importam com os sentimentos alheios e são os psicopatas ditos dissimulados: escondem tais características de forma que pouquíssimas pessoas consigam perceber, são muito manipuladores. Muitas vezes estão ao lado de todos e ninguém consegue perceber isto." – http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicopata

2.
Psicopata  antissocial ou de grau moderado a grave:

"Esses psicopatas têm uma alta tendência a se enquadrarem, por exemplo, na categoria seriais killers. A maioria apresenta as mesmas características do psicopata comunitário, entretanto apresentam condutas que os colocam contra a sociedade em geral fazendo com que sejam mais facilmente inseridos no meio carcerário. São menos frequentes, entretanto, uma vez que satisfazem quase ou todos os critérios para a personalidade antissocial, eles são aqueles que estão mais facilmente vulneráveis a delitos graves e chocantes." – http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicopata

Abaixo, mais algumas descrições, conforme cita a autora Ana Beatriz:

*Algumas características ligados aos sentimentos e relacionamentos interpessoais:

-Superficialidade e eloquência;

-Egocentrismo e megalomania;

-Ausência de sentimento e de culpa;

-Ausência de empatia;

-Mentiras, trapaças e manipulação;

-Pobreza de emoções (ponto importante para nossa análise);

*Algumas características referentes ao estilo de vida e comportamento antissocial:

-Impulsividade;

-Autocontrole deficiente;

-Necessidade de excitação;

-Falta de responsabilidade;

-Problemas comportamentais precoces;

-Comportamento transgressor no adulto.

Assim, observando este comportamento emocional distorcido, bem como essa tendência a mentir, trapacear e manipular, podemos utilizar a linguagem corporal/expressão facial/micro expressões faciais como ferramentas auxiliares na detecção destes indivíduos.

Ana Beatriz cita que "Se quisermos fazer algo para reduzir o poder de destruição das pessoas impiedosas, antes de tudo temos que aprender a identificá-las." e ainda "Identificar psicopatas fora das prisões e dos manicômios judiciários é uma empreitada bastante difícil. Os psicopatas estão por toda a parte e no dia a dia é possível encontrá-los em diversas categorias profissionais."

Devemos também aprender a dar atenção aos alertas que levantamos em determinadas situações, segundo Dimitrius e Mazzarella, "…aquilo que chamamos intuição é quase sempre a parte aparente de uma memória sumersa, um acontecimento quase não percebido, ou alguma combinação dos dois."

No próximo artigo, aprofundaremos conceitos sobre a incoerência entre a fala e a linguagem corporal, bem como alguns indicadores de manipulação, e como podemos utilizá-los para detectar possíveis mentirosos, e o mais importante, observar a incongruência corporal/facial, com abordagens cotidianas. Para isso, recomendo assistir o episódio 11 da 2ª temporada do seriado "Lie to me", neste episódio fica claro como podemos utilizar a expressões faciais como forma de nos defender de possíveis investidas, bem como, a dificuldade da sociedade de aceitar e entender esta patologia em seu grau mais leve.

 

Até a próxima,

 
Edinaldo Junior

edinaldo.Junior@ig.com.br

 

Fontes:

– Stout, Martha. Meu vizinho é um psicopata. 1ª edição. Sextante, 2010
– Barbosa Silva, Ana Beatriz. Mentes Perigosas: O psicopata mora ao lado. 1ª edição. Fontanar, 2008
– Sidney Kiyoshi Shine, Psicopatia. 3ª Edição. Casa do Psicologo,  2000

– PsiqWeb: http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=91&art=149 . Acessado em 31/08/2011

 

->Recomendo assistir  também o seriado "Criminal Minds – Mentes Criminosas"

 

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