Regras presentes nas relações familiares com membro autista – Camila Straforin de Oliveira; João dos Santos Carmo; Edilaine Helena Scabello; Valéria Mendes

A presente pesquisa teve por objetivo identificar e descrever regras presentes na relação entre membros de uma família com um filho autista. Conduziu-se dois estudos de casos com entrevistas a cada membro da família, bem como aplicou-se uma Escala de Traços Autísticos (ATA) e o questionário de classificação econômica. Participaram da pesquisa duas famílias pertencentes à classe média alta de uma cidade do interior de São Paulo. A primeira composta por: pai, 45 anos de idade, profissão arquiteto; mãe, 43 anos de idade, profissão administradora de empresa; uma adolescente, com 13 anos de idade; uma criança autista (J.), de 9 anos de idade, que frequentava a quinta série do Ensino Fundamental. E a segunda por: mãe, 43 anos de idade, profissão bacharel em direito, uma filha pré adolescente, com 11 anos; e uma criança autista (C.) de 7 anos de idade, que frequentava o primeiro ano do Ensino Fundamental. A entrevista foi norteada por uma questão apresentada aos pais e às irmãs: “Fale como é a relação da sua irmã (filha) autista com você e desta com os demais familiares”. A partir da análise dos relatos foi possível identificar e descrever as regras presentes nas relações dos familiares com o membro autista. As regras presentes com regularidade nas falas da primeira família, (1) J. é normal; (2) Ela é diferente das outras crianças; (3) J. tem algumas limitações. E as regras presentes nas falas da segunda família, (1) C. manda; (2) Vergonha do C. A análise do relato indica que a primeira apresenta uma contradição discrepâncias, em relação à dicotomia normal x anormal de J. A segunda família apresenta certa dificuldade no manejo dos comportamentos inadequados do filho com autismo.  Os dados são discutidos em termos do potencial que a identificação e descrição de regras podem fornecer acerca do relacionamento de familiares com seu membro autista, bem como do desenvolvimento de formas eficazes de orientação a estas, mais especificamente em relação a como lidar de forma mais eficaz com esse familiar a fim de substituir os comportamentos inadequados por outros funcionais.
Palavras-chave: autismo, relação familiar, regras.

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