Caso clínico: Déficit de atenção e dificuldade de aprendizagem

Os comportamentos de brincar e jogar fornecem condições ao terapeuta
para determinadas intervenções clínicas. A aplicação das atividades lúdicas na
terapia comportamental infantil proporciona um melhor repertório na interação do
terapeuta e paciente. Considerando tais dados, este trabalho visa relatar o caso
clínico de uma paciente de 9 anos , cursando a 2ª série do ensino fundamental,
encaminhada através do serviço público de saúde do município, apresentando
queixas referentes ao déficit de atenção, dificuldade de aprendizagem, desânimo
para cumprir tarefas escolares em casa e hábitos alimentares em excesso. Através
de entrevistas de avaliação psicológica e análise funcional das queixas
apresentadas, determinaram-se como importantes os seguintes pontos: a observação
quanto ao déficit de interesse no aprender (leitura e escrita), excesso no
isolamento em sala de aula, apresentando a auto-regra de inabilidade
intelectual, além de comportamento de inibição (não falando c!
om a professora em sala de aula) e agressividade verbal no atendimento às
solicitações de sua mãe e do comportamento aversivo frente às tarefas escolares.
O plano de tratamento apresentou atividades lúdicas com brinquedos pedagógicos
(memória, alfabeto, número e formas), através da técnica de ensaio
comportamental com a criança; orientações com profissionais da escola, bem como,
com a mãe da paciente. Observou-se que após o período de três meses de
atendimento semanais correspondentes ao total de 12 sessões, a paciente
demonstrou interesse em executar atividades de aprendizagem quanto à queixa
relatada, apresentou raciocínio mais rápido nos jogos, além de habilidades
motoras manuseando adequadamente o lápis colorido nos desenhos, quando os jogos
exigiam agrupamentos ou memorização e sociais satisfatórias, como participar de
peças teatrais na comunidade; com diminuição progressiva dos comportamentos
agressivos com a mãe. A avaliação da queixa na aplicação da técnica terapêutic!
a através de atividades lúdicas, permitiu hipotetizar que a presença do
comportamento de inibição está associado ao fato da paciente não estar
alfabetizada. Conclui-se que a interação paciente/terapeuta aumentou a
auto-estima, modificando seu comportamento quanto aos hábitos alimentares e
comportar-se de forma mais comunicativa somando-lhe mais amizades nos contextos
escolar e social.

Autores: Silmara Aparecida Trindade Palludetti e Rosana Righetto Dias (O)

Instituição: Centro Universitário Hermínio Ometto – UNIARARAS

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