Costumes indígenas favorecem um sono mais saudável

Segundo pesquisa, indígenas dormem de acordo com necessidades do próprio corpo, sem atender horários impostos para trabalho e estudo, ao contrário do que ocorre nas cidades
Segundo pesquisa, indígenas dormem de acordo com necessidades do próprio corpo, sem atender horários impostos para trabalho e estudo, ao contrário do que ocorre nas cidades
Os índios Guarani da Aldeia Boa Vista, em Ubatuba (litoral Norte de São Paulo), possuem hábitos de sono mais saudáveis do que a população urbana, dormindo em média nove horas diárias. A conclusão é da bióloga Daniela Wey, que analisou moradores com idades entre 18 e 81 anos. “A diferença no ritmo biológico se deve em especial à ausência de luz elétrica e a organização social diferenciada, sem horários rígidos de atividades”, aponta.

A aldeia possui 145 moradores e está localizada numa área de Mata Atlântica, próxima à Rodovia Rio-Santos. “Os índios moram em casas de pau-a-pique, iluminadas com lampiões, e existe eletricidade apenas na escola e no posto de saúde”, conta Daniela. A pesquisa faz parte de sua tese de doutorado em Neurociências e Comportamento, no Instituto de Psicologia (IP) da USP, orientada pelo professor Luiz Menna-Barreto.

A pesquisadora calculou a duração média do sono por meio de um sensor de movimentos conhecido como actímetro. “Os indígenas dormem de acordo com suas demandas fisiológicas e não atendendo uma necessidade social com horários impostos para trabalhar e estudar, tal como acontece para a população urbana” Em contato com a médica responsável pela aldeia, Daniela não encontrou casos de insônia.

“Sem energia elétrica, os índios dormem e acordam mais cedo do que nas cidades, guiando-se pelo nascente e o poente do Sol.” Segundo a bióloga, os moradores deverão ter eletricidade em casa em suas moradias quando se mudarem para casas de alvenaria, construídas na própria aldeia pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU). “A mudança deve acontecer no início de 2007”.

Na mesma aldeia, a psicóloga Fernanda Torres, que também integra o Grupo Multisdisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos (GMDRB) da USP, coordenado pelo professor Menna-Barreto, pesquisou as características do sono dos adolescentes. “Nesta fase há uma tendência a acordar e dormir mais tarde, que pode ser causada pelo desenvolvimento puberal ou pelo meio social”, explica. “Por isso, os jovens foram acompanhados por um ano e meio, em três etapas de medição.”.

A pesquisa, descrita na dissertação de mestrado de Fernanda, apresentada no Instituto de Psicologia (IP), não encontrou problemas de sono entre os adolescentes, mas detectou um atraso de aproximadamente uma hora nos horários de dormir e acordar. “Mesmo sem energia elétrica e em um contexto sociocultural diferenciado, fatores decorrentes do desenvolvimento dos próprios jovens devem ter levado ao atraso de fase do sono.”

O uso recreativo da televisão, instalada na escola da aldeia com finalidades pedagógicas, criou um padrão de sono diferente dos centros urbanos nas noites de sexta e sábado. “A tendência dos jovens nas cidades é dormir menos durante a semana e estender o sono nos finais de semana”, afirma a psicóloga. “Na aldeia, a televisão faz com que os adolescentes durmam menos nas sextas e sábados.”

Fonte: [url=http://www.usp.br/agen/repgs/2006/pags/081.htm]www.usp.br[/url]

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