Remédio contra tontura induz ao ‘falso’ Parkinson

Quando um idoso começa a apresentar tremor nas mãos, rigidez muscular e lentidão nos movimentos, imediatamente os sintomas são relacionados com a doença de Parkinson. Mas nem sempre essas características são sinais da doença: elas podem indicar o ‘falso’ Parkinson, que, na verdade, é provocado pelo uso crônico de medicamentos (cinarizina e flunarizina) usados contra tonturas.
Quando um idoso começa a apresentar tremor nas mãos, rigidez muscular e lentidão nos movimentos, imediatamente os sintomas são relacionados com a doença de Parkinson. Mas nem sempre essas características são sinais da doença: elas podem indicar o ‘falso’ Parkinson, que, na verdade, é provocado pelo uso crônico de medicamentos (cinarizina e flunarizina) usados contra tonturas.
O ‘falso’ Parkinson é chamado de síndrome parkinsoniana e, apesar de apresentar exatamente os mesmos sintomas da doença, é passível de reversão com a suspensão dos medicamentos antivertiginosos. A situação preocupa os especialistas porque a doença de Parkinson pode estar superestimada na população brasileira por causa da possibilidade de confusão no diagnóstico.

A geriatra Maira Tonidandel Barbosa, diretora-científica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (regional MG) fez o primeiro estudo epidemiológico no país para levantar a situação da doença. Foram avaliados 1.186 idosos com mais de 64 anos, moradores da cidade de Bambuí (MG). Todos responderam um questionário para avaliar a existência de indícios de Parkinson.

Ao todo, 7,2% dos idosos (86 casos) tinham a síndrome parkinsoniana, ou seja, apresentavam o conjunto de sinais como tremor, rigidez e lentidão. A doença de Parkinson ficou confirmada em 3,3% deles. Em 2,7% foi constatada a síndrome provocada pelo uso contínuo de medicamentos antivertiginosos. O restante tinha o parkinsonismo induzido pelo uso de antipsicóticos.

“O número [2,7%] nos preocupa porque a literatura médica internacional aponta menos de 1% de casos de pacientes com parkinsonismo provocado por medicamentos”, diz Maira.
De acordo com a geriatra, é importante que os pacientes com sintomas de Parkinson informem ao médico quais são os remédios que tomam para evitar erro de diagnóstico. “Caso contrário, o paciente corre o risco de achar que tem uma doença neurológica, progressiva e sem cura. Isso é um fardo.”

O parkinsonismo provocado pelos medicamentos foi descrito pela primeira vez em 1984 pelo neurologista Sebastião Eurico Melo Souza, do Instituto de Neurologia de Goiânia. Mesmo assim, diz Souza, os erros de diagnóstico continuam. Egberto Reis Barbosa, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, confirma. “Os sintomas são muito semelhantes. É necessário um rastreamento para haja um diagnóstico correto. Isso foi relatado há 22 anos e o problema persiste.”

O neurologista Paulo César Trevisol Bittencourt, professor da Universidade Federal de Santa Catarina vai além. “Essas drogas são potenciais bloqueadoras de dopamina, uma das principais causas do Parkinson. Ministrá-las em idosos é pedir para que eles desenvolvam o parkinsonismo”, disse. “Infelizmente ainda há desconhecimento da classe médica sobre os efeitos colaterais dessas drogas no paciente idoso. Enquanto não houver uma conscientização, o problema vai continuar.”

Fonte: [url=http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2105200627.htm]www.folha.com.br[/url]

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