Analise do Comportamento: do que estamos falando?

Autor: Eduardo Alencar – UNINOVE

Este artigo apresenta uma das abordagens da ciência da Psicologia que toma como objeto de estudo o comportamento dos organismos, abordagem com base filosófica no Behaviorismo Radical do americano B.F. Skinner que define comportamento como a interação entre indivíduos e o seu meio ambiente, o que nos permite observar, analisar e descrever comportamentos sobre um foco diferenciado dentro da psicologia, mantendo todo o rigor e metodologia científica exigida pela comunidade de psicólogos ao longo do desenvolvimento desta ciência e dos avanços de suas abordagens.

Palavras Chaves: Analise do Comportamento, Behaviorismo Radical, Psicologia, Comportamtno Humano.

Atualmente, a Psicologia concentra áreas teóricas, conceituais, filosóficas e experimentais em constante desenvolvimento que possibilitam infinitas maneiras de compreender o homem, o mundo, e a relação entre eles. Dentre as principais abordagens que formam a ciência denominada “Psicologia”, encontramos a Análise do Comportamento Humano que possui suas raízes filosóficas no Behaviorismo Radical do americano B.F. Skinner.

A análise do comportamento lida com o manejo de nosso próprio comportamento e do comportamento dos outros. Estamos sempre ajustando nossas ações às demandas do mundo ao nosso redor.

Analisar comportamento é simplesmente estudar estes ajustamentos.
Assumindo que pessoas, lugares e coisas estão sempre controlando as ações de quaisquer indivíduos, analistas do comportamento por tanto, tentam descobrir como estabelecer, facilitar, impedir ou evitar esse controle.

Sidman (2003) afirma que a ciência da Análise do Comportamento tem suas raízes na filosofia, então, destinguiu-se como um ramo da emergente disciplina da psicologia e está agora no processo de desengajar-se desta psicologia, uma vez que esta, como o próprio nome sugere, é o estudo da mente, da alma. Já a Análise do Comportamento, é a ciência do comportamento.

Matos e Tomanari (2002), parecem concordar com Sidman quando afirmam que o Behaviorismo Radical propõe que o objeto de estudo da psicologia deva ser o comportamento dos seres vivos, especialmente do homem. É radical na medida em que nega ao psiquismo a função de explicar o comportamento, embora não negue a possibilidade de , por meio de uma estrutura da linguagem, estudar eventos encobertos, tais como pensamento e as emoções, só acessíveis ao próprio sujeito, ou seja, tanto na filosofia quanto no momento atual desta abordagem, o foco é o comportamento humano.

Baseado em alguns conceitos acerca do comportamento, entre eles o de comportamento respondente, o de comportamento operante e o de comportamento verbal, onde o comportamento operante é fortalecido ou enfraquecido por eventos posteriores a resposta de um organismo, como por exemplo: cada vez que eu abro a porta (Resposta do organismo) tenho acesso à outro lugar (Evento posterior a resposta), o comportamento de abrir a porta para acessar outros lugares é fortalecido, de maneira que não vemos nenhum organismo abrindo as paredes de uma casa quando querem acessar determinados locais, além de sua característica principal focar a possibilidade de aprendizagem e interação entre o homem e o ambiente, os comportamentos operantes são aprendidos pelo organismo ao longo de sua história de vida.

Enquanto o comportamento respondente é controlado pelos estímulos antecedentes a resposta de tal organismo, como por exemplo fecho os olhos (Resposta do organismo) quando recebo um estímulo oficiante de luz (Evento antecedente a resposta), tendo ainda como característica, comportamentos relacionados à espécie, ao fisiológico, também conhecidos como fatores filogenéticos, estes possuem um caráter “mecânico” Estímulo-Resposta.

E por fim, o termo comportamento verbal foi introduzido por Skinner em 1957, quando a publicação do seu livro Verbal Behavior. Para analistas do Comportamento, o termo veio como substituição da palavra “linguagem”, pelas várias interpretações que esse ultimo termo possui. Foi proposto “comportamento verbal”, para enfatizar que “linguagem” é um comportamento modelado e mantido por consequências e não é algo ou uma propriedade que alguém possua ou, muito menos, uma entidade interna. A característica do comportamento verbal é a de que ele é estabelecido e mantido por reforçamento (Estímulos que seguem uma resposta do organismo, afetando-o, fortalecendo ou enfraquecendo a resposta, como no exemplo do abrir a porta) mediado por outra pessoa.

A ausência de uma compreensão clara acerca destes conceitos gera entre os próprios estudantes da graduação de psicologia, críticas injustas à respeito desta abordagem, como por exemplo: tratamento mecanicista do ser humano, não oferece tratamento para os problemas de natureza emocional, entre outras.

Todo comportamento, seja ele operante, respondente ou verbal, alinhados à outros conceitos da Analise do Comportamento (reforço, coerção, esquemas de reforçamento, punição, dentre outras definições que percorrem a teoria), proporcionam aos Psicólogos adeptos desta abordagem, o exercício de eficientes práticas, analises e técnicas para correção de déficits comportamentais e transtornos de ordem “mental”, como o Transtorno Obsessivo – Compulsivo, a Anorexia,o Autismo, dentre outros transtornos mentais de alçada de psiquiatras e psicólogos.

Sidman (2003), chama a nossa atenção para o fato de que não é “nenhum bicho de 7 cabeças”, analisar a conduta humana, desde que consigamos manter um rigor metodológico e científico de nossas práticas, então afirma que conduta se refere a freqüências de respostas, ou seja, chamamos alguns alunos de falantes, pois observamos que ele fala bastante, chamamos alguns alunos de inteligentes, ao ver que eles estudam muito, chamamos alunos de céticos, pois estes questionam muito seus professores, chamamos pessoas de felizes, pois observamos que sorriem demais, e assim por diante. Não precisamos recorrer a aspectos “mentais” para realizar Analises acerca do Comportamento Humano, nesta abordagem, considera-se ainda que a consciência, os sentimentos, as emoções, a personalidade, são frutos de contingências que formam repertórios comportamentais que socialmente, aprendemos a nomear de inteligente, dinâmico, carinhoso, bravo, chato, legal, ativo, perspicaz, burro, etc.

Parece simples, mas a abordagem vai além do que chamamos de “fácil”, embora o comportamento operante seja colocado sob controle de estímulos (antecedentes, posteriores, ou ambos à resposta de um organismo), tal controle é apenas parcial e condicional. A resposta operante de erguer o garfo para comer, por exemplo, não é simplesmente eliciada pela vista da comida no prato ou pela presença do garfo. Depende também da nossa fome, preferências alimentares frutos de nossa história de vida, e outras variedades de condições de controle.

Analisar o comportamento humano (Abordagens comportamental) é tão complicado quanto analisar a mente humana (Abordagens Psicodinâmicas) ou analisar a existência do homem no mundo (Abordagens Existenciais).

Embora tenham muito mais a oferecer, os analistas do comportamento são talvez mais freqüentemente chamados para lidar com problemas de comportamento – autodestruição em retardos ou autismo, destruição do ambiente (exceto, naturalmente, quando os exploradores fazem isso por lucro), violações de normas sociais e condutas que afligem as famílias e a comunidade.

Um exemplo destas contribuições são apontadas na obra Sidman (2003) que nos ensina que se queremos diminuir a desistência das escolas e aumentar a participação, um primeiro passo útil seria uma análise comportamental. Desistir é, afinal de contas, comportamento; uma maneira de torná-lo mais ou menos provável é arranjar conseqüências apropriadas. Comece examinando interação entre alunos e professores, alunos e alunos, alunos e administradores escolares, identifique e elimine estimulação aversiva (o que enfraquece a freqüência de resposta de ir à escola) de que tornam a fuga deste ambiente tão reforçador (Fortalece a freqüência da resposta de freqüentar outros ambientes que não a escola).

Gostaria de finalizar este artigo explicando porque sou adepto da terapia comportamental, começando a destacar o aspecto mais distinto que faz o diferencial desta abordagem, caracterizando-a como uma das ciências que fornece a possibilidade de comando, dando ao terapeuta tanto no planejamento da estratégia geral da terapia quanto no controle dos detalhes e informações, à medida em que prossegue, a possibilidade de corrigir um tipo de técnica quando esta, não apresenta a eficiência desejada.

Em contra partida, quando há mudanças comportamentais desejadas, é nítido e pode ser facilmente mantida e/ou reforçada no repertório dos nossos clientes, contribuindo assim para melhorias no dia – a – dia de nossos clientes. As observações científicas permitem a previsão e conseqüentemente planejamento de eficazes intervenções.

Tais aspectos fortalecem o fato de que esta terapia é muito requisitada para ajustar hábitos indesejados (Neuroses, transtornos, psicoses, etc.), tanto por profissionais da saúde quanto por próprios psicólogos adeptos de outras abordagens.

REFERENCIA BIBLIOGRAFICA

MATOS, M. A e TOMANARI, G.Y. A análise do comportamento no laboratório didádico. Cap. I e II. Ed. Manole. Barueri, São Paulo, 2002

SIDMAN, M. Coerção e suas implicações. Ed. Livro Pleno. Campinas, São Paulo, 2003.

SKINNER, B.F. Ciência e comportamento Humano. Ed. Martins Fontes. 2000.

About Eduardo Alencar

Psicólogo comportamental do Cais/USP (2009), pós graduado em Psicologia Comportamental e cognitiva pela USP, com formação técnica em administração de empresas, extensão universitária em OBM e em Acompanhamento Terapêutico pelo Núcleo Paradigma, especializ
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