Mulher não se preocupa com colesterol, diz estudo

O colesterol é a principal causa das doenças cardiovasculares, as que mais matam no planeta. Mas as mulheres não têm dado muita bola para isso. Pelo menos três pesquisas concluídas recentemente mostram que a maioria delas desconhece os próprios níveis de colesterol e muitas nunca fizeram exames para saber.
O colesterol é a principal causa das doenças cardiovasculares, as que mais matam no planeta. Mas as mulheres não têm dado muita bola para isso. Pelo menos três pesquisas concluídas recentemente mostram que a maioria delas desconhece os próprios níveis de colesterol e muitas nunca fizeram exames para saber.
O último estudo, recém-divulgado pelo laboratório Merck, revelou que 87% das mulheres não sabem se têm colesterol alto ou não. Cerca de 40% nunca fizeram exames para conhecer os índices. No total, foram 900 entrevistadas com idade de 18 a 55 anos e com alto nível socioeconômico, cem delas do Brasil.

Outro trabalho, coordenado pelo laboratório Pfizer, traz dados semelhantes e complementares. Das 500 paulistanas com idade de 35 a 65 anos avaliadas em exames de sangue, 44% têm colesterol alto, mas só 8% se tratam.

Em comparação com a população em geral, as mulheres sabem menos do assunto e têm índices mais altos de colesterol. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, 78% dos adultos no País nas não sabem o que é a doença e 1em cada 5 brasileiros têm níveis altos de colesterol.

“As mulheres ainda acreditam no mito de que só homens sofrem de problemas no coração”, avalia Antônio Chagas, professor de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Vão mais ao médico que o homem, mas raramente ao cardiologista.” Ainda segundo o trabalho da Pfizer, entre as poucas mulheres da pesquisa que fizeram exame de colesterol, a maioria solicitou ao ginecologista.

A dona de casa Ângela Maria Ferreira da Silva, de 52 anos, descobriu há dois meses que seu colesterol é de 300 (até 200, o índice é considerado normal) num exame de rotina com o ginecologista. “Engordei muito no último ano, poderia estar com problemas, estava preocupada. Mas não imaginava que seria colesterol.”

O fator que mais pesa nas doenças cardiovasculares é o colesterol. No grupo das principais causas estão stress, nicotina, pressão alta e diabete, todos eles vasoconstritores (que apertam o calibre dos vasos).

O colesterol é um tipo de gordura produzida pelo fígado ou vinda da alimentação. As causas podem ser genéticas, em 75% dos casos, ou dos alimentos. Os pratos de origem animal são os principais vilões. O colesterol ruim é chamado de LDL, que surge quando a proporção da proteína responsável por transportar gordura às células é maior que a própria gordura no sangue. Com o tempo, acumula-se nas paredes dos vasos, deteriorando as artérias.

Nem sempre o colesterol é ruim, já que ele participa na produção de hormônios sexuais, de enzimas digestivas e da membrana que envolve as células. Mas, em excesso, pode produzir uma placa formada de gordura, cálcio e células que se acumula na parede das artérias. As conseqüências são doenças de origem circulatória, como o entupimento das artérias, derrame cerebral e enfarte.

Por um lado, as mulheres têm uma proteção a mais em relação aos homens, o estrógeno. Quando é produzido naturalmente pelo organismo, o estrógeno, hormônio feminino, funciona como uma espécie de escudo, fazendo com que as artérias fiquem mais relaxadas e, conseqüentemente, haja menos risco de depósito de gordura. Quando os ovários deixam de fabricar o estrógeno, na menopausa, o risco de doenças cardíacas passa a ser o mesmo.

Em compensação, há um fator que pesa desfavoravelmente para a o sexo feminino, o calibre das artérias do coração da mulher é cerca de 20% menor, facilitando a obstrução das artérias. Atualmente, no Instituto de Cardiologia de São Paulo (Incor), 40% dos pacientes hoje internados são do sexo feminino. Há dez anos, o número era de 20%.

O trabalho da Merck também mostrou quais são as doenças que preocupam as mulheres. Em primeiro lugar está o câncer (48%). Em segundo, a osteoporose (17%). Depois vêm a pressão alta (15%), as doenças sexualmente transmissíveis (13%), o colesterol (4%) e a obesidade (3%).

Fonte: [url=http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/saude/2534501-2535000/2534667/2534667_1.xml]http://ultimosegundo.ig.com.br[/url]

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