Cirurgia da obesidade e problemas neurológicos

A associação à primeira vista pode parecer inusitada, mas a manifestação do problema é grave. Um estudo feito nos Estados Unidos identificou que cirurgias para perda de peso, como de redução do estômago, podem levar a problemas de memória, confusão e dificuldade de coordenação de movimentos.

A associação à primeira vista pode parecer inusitada, mas a manifestação do problema é grave. Um estudo feito nos Estados Unidos identificou que cirurgias para perda de peso, como de redução do estômago, podem levar a problemas de memória, confusão e dificuldade de coordenação de movimentos.

O motivo é que as cirurgias desse tipo podem induzir deficiência de vitamina B1 e provocar uma síndrome conhecida como encefalopatia de Wernicke, que também pode resultar em problemas de visão. Os resultados do estudo foram publicados na edição de 13 de março da revista Neurology, da Academia Norte-Americana de Neurologia.

A pesquisa verificou que a síndrome ocorre principalmente em pessoas que apresentaram episódios freqüentes de vômitos após a cirurgia. Segundo os cientistas, a encefalopatia se manifesta geralmente de um a três meses após a cirurgia.

O estudo revisou a literatura científica em busca de registros de casos da síndrome após cirurgias da obesidade. Foram identificados 32 episódios, muitos dos quais também apresentaram sintomas neurológicos não típicos da encefalopatia de Wernicke, como surdez, psicoses, fraqueza muscular e dores ou adormecimento em mãos e pés.

“Quando uma pessoa submetida a cirurgia para perda de peso começar a experimentar qualquer um desses sintomas, ela deve procurar um médico imediatamente”, disse Sonal Singh, da Universidade Wake Forest, um dos autores do estudo. “Médicos devem considerar deficiência de vitamina B1 e encefalopatia de Wernicke ao verem pacientes com esses tipos de complicações neurológicas após tais cirurgias. Se tratados prontamente, os resultados são geralmente bons.”

No tratamento, pacientes recebem vitamina B1 por injeção ou em solução administrada por via intravenosa. Apesar disso, dos 32 pacientes submetidos ao tratamento, apenas 13 tiverem completa recuperação. A maioria continuou a ter problemas de memória, fraqueza e dificuldades de coordenação.

Segundo Singh, mais estudos são necessários para determinar a freqüência da encefalopatia de Wernicke após cirurgias de obesidade. Ele lembra que alguns médicos prescrevem suplementos de vitamina B1 após os procedimentos cirúrgicos, mas recomenda que padrões sejam criados e obedecidos em todos os casos.

O artigo Wernicke encephalopathy after obesity surgery: A systematic review, de Sonal Singh e Abhay Kumar, pode ser lido por assinantes da Neurology em www.neurology.org.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=6881]Agência FAPESP[/url]

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