Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Síndrome do Pânico: Estudo de caso clínico em terapia por contingências de reforçamento (TCR)

Eliana Leite Bastos; Noreen Campbell de Aguirre e Hélio José Guilhardi
Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento – Campinas 

João (42), ensino fundamental incompleto, mora com Fátima (40) e com o filho Túlio (5). Trabalhou 11 anos como maqueiro num hospital e está afastado há um ano. Foi encaminhado pelo psiquiatra para atendimento psicológico. A investigação sobre a história de contingências de reforçamento apontou: Histórico de exposição a situações de incontrolabilidade e punição, produziram: sentimento de desamparo e auto-regras que descrevem que a alteração do ambiente independe dos seus comportamentos; Exposição na infância a punições não contingentes e não sinalizadas, produziu: sentimento de ansiedade; repertório limitado e ineficiente de comportamentos de contracontrole para evitar estimulação aversiva e para produzir Sr+; alta freqüência de comportamentos de fuga-esquiva disfuncionais; repertório restrito para discriminar entre as contingências de reforçamento e
m operação e os comportamentos e sentimentos produzidos por elas; Histórico de pouco reforçamento positivo, contingente ou não aos comportamentos de João, produziu: auto-regras disfuncionais que controlavam comportamentos de fuga-esquiva de críticas sociais e sentimentos de baixa autoconfiança, baixa auto-estima e excessiva responsabilidade; Embora houvesse repertórios comportamentais potencialmente produtores de Sr+, tais respostas, quando emitidas, eram punidas, eliciando mais respondentes aversivos e fortalecendo respostas de fuga/esquiva.

Foram estipulados como objetivos terapêuticos: Instalar e ampliar repertório social e de contracontrole; Ampliar repertório de discriminação entre as contingências de reforçamento em operação, de forma a identificar os antecedentes dos episódios de pânico e dos pensamentos obsessivos; Instalar comportamentos alternativos funcionais sob controle dos mesmos antecedentes, alterando-lhes as funções; Diminuir em intensidade e freqüência os respondentes e operantes típicos da ansiedade; Eliminar os comportamentos obsessivos.

Os procedimentos adotados na condução da terapia foram: Conseqüenciar, com função de Sr+, as reservas comportamentais de João; Levá-lo a discriminar, via descrição da contingência pela terapeuta, que muitos de seus comportamentos eram governados por regras e auto-regras disfuncionais; Enfraquecer, usando punições verbais leves, o repertório de fuga/esquiva ineficaz que ocorria nas interações sociais; Ensaio comportamental, visando ampliar o repertório social que produz Sr+; Rearranjo ambiental e relaxamento, com o objetivo de quebrar cadeias de estímulos antecedentes condicionados que evocavam respostas operantes e eliciavam respondentes do pânico; Técnica implosiva, visando a tornar a descrição da realidade uma estimulação mais forte que as obsessões.

Resultados: João passou a ficar sob controle das conseqüências que seu comportamento produzia no outro e assim, pôde alterar algumas contingências aversivas às quais estava exposto; Seguiu regras fornecidas pela terapeuta que faziam oposição às suas auto-regras disfuncionais e, ao testá-las, foi reforçado arbitrariamente pela terapeuta e por sua comunidade verbal; Passou a emitir comportamentos de contracontrole, que foram reforçados e mantidos arbitrariamente pela terapeuta e, naturalmente, pela remoção da contingência aversiva; Episódios de pânico deixaram de ocorrer e Diminuiu a freqüência de respostas obsessivas.

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