Trabalho docente leva a distúrbios psíquicos

Um estudo feito com professores da rede municipal de Vitória da Conquista (BA) mostrou que 55,9% apresentavam distúrbios psíquicos classificados como "menores". Entre as principais ocorrências, os pesquisadores citam nervosismo, tensão, cansaço excessivo, preocupação, tristeza e sustos repentinos. Também foi apresentado grande número de dores de cabeça e de estômago. A prevalência é maior do que a apresentada em estudos anteriores e mais elevada em professores com alta exigência de trabalho, mostrando que a saúde mental desses profissionais está fortemente associada ao conteúdo de suas tarefas.
Um estudo feito com professores da rede municipal de Vitória da Conquista (BA) mostrou que 55,9% apresentavam distúrbios psíquicos classificados como "menores". Entre as principais ocorrências, os pesquisadores citam nervosismo, tensão, cansaço excessivo, preocupação, tristeza e sustos repentinos. Também foi apresentado grande número de dores de cabeça e de estômago. A prevalência é maior do que a apresentada em estudos anteriores e mais elevada em professores com alta exigência de trabalho, mostrando que a saúde mental desses profissionais está fortemente associada ao conteúdo de suas tarefas.
O médico Eduardo José Farias Borges dos Reis, do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal da Bahia, é o autor principal do estudo publicado na revista científica da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Cadernos de Saúde Pública. De acordo com a pesquisa, 808 professores responderam a um questionário que avaliou os efeitos do trabalho sobre a saúde mental. Foram excluídos os professores de educação física, xadrez, informática e línguas estrangeiras, por desempenharem atividades de ensino com características mais específicas.

A equipe incluiu perguntas sobre o estado sócio-demográfico (renda, idade, escolaridade, sexo, situação conjugal, filhos); os hábitos saudáveis (prática de atividade física e de lazer); a prática do trabalho docente (tempo de trabalho como professor, horas semanais de trabalho docente, número de turmas e alunos, número de colegas, vínculo de trabalho, modalidade de ensino, trabalhar em outra escola); e as atividades domésticas (receber ajuda na atividade doméstica, número de habitantes na casa, cuidar das crianças, pagar as contas da casa e fazer mercado e feira).

Para avaliação dos resultados, foi aplicado um modelo baseado na combinação entre as demandas psicológicas e o controle das atividades por parte do trabalhador. As primeiras referem-se àquelas situações em que o trabalhador é exigido quanto à concentração, ao tempo para realização de tarefas e ao ritmo e volume das atividades. O segundo refere-se às habilidades (criatividade, aprender coisas novas, tarefas diferentes) e à liberdade de decisão. De acordo com esse modelo, classifica-se como de alta exigência o trabalho que combina alta demanda e o baixo controle; trabalho ativo é a existência simultânea de alta demanda e alto controle; trabalho de alta exigência é aquele que possui alta demanda e baixo controle; trabalho passivo é a combinação de baixa demanda e baixo controle; e a atividade de baixa exigência apresenta baixa demanda e alto controle.

O tempo médio de trabalho dos professores da rede municipal de Vitória da Conquista foi de 10,4 anos, com 85,2% deles com vínculo de trabalho estável (efetivos e concursados). A modalidade de ensino mais freqüente foi a fundamental 1 (1ª à 4ª séries), envolvendo 64,7% dos entrevistados. Os professores também tiveram média de duas turmas para cada, com cerca de 30 alunos e carga horária de 40 horas por semana. Do total de 808 professores, 78% relataram sentir nervosismo, tensão e preocupação; 59,8% disseram assustar-se com facilidade; 59,2% têm sensações desagradáveis no estômago; 51,6% têm dor-de-cabeça freqüente; e 49,1% sentem-se tristes.

Professores com distúrbios psíquicos menores apresentaram carga horária semanal em sala de aula maior do que os que não tiveram sintomas. A prevalência foi significantemente mais elevada no grupo de professores com trabalho de alta exigência (77,8%), seguido de trabalho ativo (62,4%), trabalho passivo (51,8%) e, por último, baixa exigência (45,1%).

De acordo com o estudo, o impacto de fatores estressantes sobre os trabalhadores têm recebido o nome de síndrome do esgotamento profissional, quando os recursos emocionais do profissional estão esgotados e eles apresentam atitudes cínicas e negativas em relação aos sentimentos dos indivíduos para os quais dirigem os seus trabalhos. As conseqüências dessa síndrome na área do ensino têm refletido em absenteísmo e solicitação de licença médica para tratamento de saúde, além da forma despersonalizada com que os professores começam a tratar os alunos.

Fonte: Mente e Cérebro

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