MORISON, Alexander (Sir) (1779-1866)

Nascido em Anchorfield, perto de Edimbur­go, a 1º de maio de 1779, Morison estudou medicina nessa cidade e defendeu a 12 de setembro de 1799 uma tese intitulada "De hydrocephalophrenetico", que marcou o início do seu interesse pelas doenças cerebrais. Trabalhou em Edimburgo até 1808, depois instalou-se em Londres e tornou-se em 1810 médico-inspetor dos Asilos de Alienados do Condado de Surrey. Seu caminho estava tra­çado; apaixonou-se pelo estudo da alienação mental, problema ao qual – deve-se enfati­zar – a opinião pública britânica da época estava bastante sensibilizada por diversos de­bates: as perturbações psíquicas ligadas à por­firia familiar de Jorge III, cuja recente recaída resultaria, a 5 de fevereiro de 1811, na regência do seu filho Jorge IV, a descoberta de diversos escândalos em asilos, as polêmicas dos Tuke e as discussões parlamentares de 1815-16 sobre o melhoramento das condições materiais dos alienados e a reforma da legislação.

Em 1818, Morison conheceu em Paris Esquirol, que acabava de criar um curso de clínica das doenças mentais, e lhe fez as honras da Salpêtriere. Ambos se reencontra­ram em 1821 e em 1822; no ano seguinte Morison tentaria obter a criação, para seu uso, de uma cátedra de psiquiatria, matéria que desejaria tornar obrigatória no currículo dos estudos médicos. Conseguiu interessar nesse projeto a viúva de um rico banqueiro, de quem era médico. Esta aceitou subvencio­nar a criação dessa cátedra, com a condição de que ela fosse fundada em Edimburgo e que os seus titulares fossem escoceses. Diante da oposição das autoridades Morison decidiu, em novembro de 1823, inaugurar, a título pessoal, em Londres e em Edimburgo, um ciclo anual de conferências sobre a patologia mental, que realizaria durante 30 anos, e que seria parcialmente publicado em 1826, sob o título de Esboços sobre as doenças mentais. Alexander Morison foi o primeiro a lançar na Grã-Bretanha esse tipo de ensino "informal", que estenderia, a partir de 1844, aos enfer­meiros do asilo público de Springfield (Sur­rey). Sempre ilustrando com observações clí­nicas vivas as suas exposições teóricas, redi­giu ainda em 1828 Observações de doenças mentais… para uso dos estudantes e em 1838 A fisiognomonia das doenças mentais.

Médico dos asilos de Bethleem e de Han­well, médico pessoal da princesa Charlotte, Sir Alexander Morison foi feito cavaleiro em 1838 e morreu na Escócia a 14 de março de 1866.

About Adalberto Tripicchio

Psiquiatra – Pós-doc em Filosofia
Membro do Viktor Frankl Institute Vienna
Docente da BI Foundation FGV/Berkeley

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