O envelhecimento populacional e seu impacto no sistema de saúde

Segundo Santana (2003), está se tornando universal a percepção de novas relações sociais fronte ao fenômeno do envelhecimento populacional, o que ocasiona novas necessidades que vão se tornando pauta nas instituições civis e governamentais, responsáveis pelo bem-estar social.
Este processo ocasiona mudanças sociais, culturais e no perfil de saúde. Nota-se uma preponderância das enfermidades crônicas, se fazendo necessário a implementação de práticas preventivas em relação aos elementos de risco para a saúde (MOTTA, 2001).

Para Lourenço et al (2005, p. 312), o Brasil, acompanhando as transformações demográficas, tem sofrido importantes alterações no seu quadro de morbi-mortalidade, conhecidas como: "transição epidemiológica, fazendo com que as doenças crônico-degenerativas ocupem hoje as principais posições de ocorrência de doenças e causas de mortalidade".

Veras e Caldas (2004), declaram que o aumento acerca do tempo de vida da população, no decorrer do século XX, se apresenta como um dos fatos mais marcantes no âmbito da saúde mundial. A expectativa de vida obteve um aumento de cerca de 30 anos durante o século XX, resultando numa grande transformação da demografia e da saúde pública.

O envelhecimento se mostra um desafio para o mundo atual, que afeta tanto os países ricos quanto os pobres, sendo assim um fenômeno global e, ao mesmo tempo, local. As transformações socioeconômicas ocorridas nas nações desenvolvidas no século XIX originaram o processo de envelhecimento da população mundial, entretanto, apenas na virada do século XX é que produziram mudanças expressivas nas suas variáveis demográficas (VERAS; CALDAS, 2004; LOURENÇO et al, 2005).

Segundo esses autores, essa nova realidade vem desencadeando um grande impacto no sistema de saúde brasileiro, e se mostrando um grande desafio, já que os modelos tradicionais de assistência ao idoso têm-se mostrado ineficientes, evidenciando a urgência de se desenvolver novos estudos e análises visando políticas públicas de promoção e prevenção de saúde no envelhecimento, que proporcione qualidade de vida aos idosos.

Siqueira et al (2004, p. 688), afirma que o envelhecimento populacional traz consigo a discussão quanto ao preparo dos sistemas de saúde na atenção dessa crescente demanda: Frente ao envelhecimento da população idosa brasileira, há a necessidade de estruturação de serviços e de programas de saúde que possam responder às demandas emergentes do novo perfil epidemiológico do País. Os idosos utilizam os serviços hospitalares de maneira mais intensiva que os demais grupos etários, envolvendo maiores custos, implicando no tratamento de duração mais prolongada e de recuperação mais lenta e complicada.  No Brasil, desde que a mídia intensificou a divulgação do ponto de vista dos demógrafos acerca do envelhecimento populacional do país, criou-se a preocupação com questões relacionadas à qualidade de vida na terceira idade (FREIRE, 2000 apud CARNEIRO; FALCONE, 2004).

A Organização Mundial da Saúde (OMS, 1989 apud ANDERSON 1998), considerando o crescimento do número de idosos no mundo, julga necessário o desenvolvimento de estudos e pesquisas que irão direcionar as ações e prioridades quanto às políticas públicas concernentes à terceira idade. Dentre as recomendações, destaca-se a necessidade da realização de análises multidimensionais objetivando o estabelecimento de um diagnóstico e de dados estatísticos acerca da população idosa:

a) idade, sexo, nível educacional e condições socioeconômicas;

b) a descrição dos problemas e necessidades que afetam a população-alvo, com especial ênfase naqueles que influenciam o estado de saúde e o bem-estar geral;

c) a busca de dados de morbidade/incapacidade. 

Referências bibliográficas

ANDERSON, Maria Inez Padula et al. Saúde e qualidade de vida na terceira idade. Textos sobre Envelhecimento.  Rio de Janeiro, v.1, n.1, 1998.

CARNEIRO, Rachel Shimba; FALCONE, Eliane Mary de Oliveira. Um estudo das capacidades e deficiências em habilidades sociais na terceira idade. Psicologia em estudo. Maringá, v.9, n. 1, p. 119-126, 2004.  

LOURENÇO, Roberto Alves et al. Assistência ambulatorial geriátrica: hierarquização da demanda. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v.39, n.2, p.311-318, 2005.

MOTTA, Luciana Branco da. Levantamento do perfil de idosos internados em um hospital geral: análise do processo de internação frente às demandas da população geriátrica. Textos sobre Envelhecimento. Rio de Janeiro, v.3, n.6, 2001.

SANTANA, Jorge Alves. Do peso e da leveza: sobre a velhice. Revista da UFG. Goiânia, v.5, n.2, 2003.

SIQUEIRA, Ana Barros et al. Impacto funcional da internação hospitalar de pacientes idosos. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 38, n. 5, p. 687-694. 2004.

VERAS, Renato Peixoto; CALDAS, Célia Pereira. Promovendo a saúde e a cidadania do idoso: o movimento das universidades da terceira idade. Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v.9, n.2, p. 423-432, 2004.  

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