Intervenção comportamental junto a uma paciente com déficit em habilidades sociais

7ª Jornada de Análise do Comportamento – UFSCar. 2008

Zamariola, Nádia C.[1]; Baptista, Adriana. S. D. [1]; Lançoni, Ana. C. [2]
nadiazamariola@bol.com.br

[1]Centro Universitário Hermínio Ometto;
[2]Centro Universitário Hermínio Ometto.

A terapia comportamental se caracteriza por um processo clínico em que são utilizadas técnicas comportamentais que se propõem a alterar o comportamento queixa. Deve-se primordialmente selecionar e descrever os comportamentos-problema e as
contingências atuantes, a partir dos quais serão selecionadas as formas de intervenção, que em seguida poderão ser avaliadas a partir  de seus efeitos, promovendo por final a modificação do comportamento queixa. Isto  posto, este trabalho tem como objetivo a apresentação de um relato de experiência que envolve um atendimento psicológico em uma Clínica-escola de Psicologia, embasado pela abordagem comportamental, que possibilita aos estudantes do último ano do curso de Psicologia a experiência da prática clínica. A paciente em questão é uma adulta, de 41  anos, do sexo feminino. Foi encaminhada da Clínica-escola de Fisioterapia da mesma Instituição, em que há um Projeto de Extensão da Psicologia. Durante o processo de coleta  de dados foram identificadas as seguintes queixas: dificuldades no relacionamento com seus familiares e com colegas de trabalho, além da dificuldade de adaptação ao novo emprego. No início do processo terapêutico foram trabalhadas as queixas de dificuldades no relacionamento com colegas de trabalho e adaptação ao novo emprego, visto que ambas foram identificadas em excesso, e a paciente apresentava a mesma resposta comportamental, isto é, o padrão utilizado era a agressividade, independente da contingência presente. Por meio de técnicas de discriminação, a paciente começou a identificar junto a terapeuta as variáveis mantenedoras dos seus comportamentos. Diante tal investigação percebeu-se ao longo das sessões que a paciente não tinha repertório para lidar com as situações trazidas como queixa, o que demonstrou que seus comportamentos agressivos estavam relacionados com a inassertividade, para tanto foram utilizadas as técnicas de treinamento em habilidades sociais, em que a terapeuta focou o  aumento do repertório de respostas sociais da paciente, ensinando-a comportamentos específicos e habilidades interpessoais, pontuando junto a ela as formas de responder frente às situações que ela considera aversivas, ajudando-a a compreender e distinguir tais formas de se comportar, e perceber qual é a mais adequada. A partir da discriminação dessas formas de se comportar, a paciente foi treinada, utilizando-se as técnicas de ensaio comportamental, que representa maneiras efetivas e apropriadas de enfrentar situações da vida  real que são problemáticas para o paciente, tendo em vista a modificação dos modos de resposta não adaptativos; bem como a modelação, que possibilita a aprendizagem observacional pela exposição do paciente a um modelo que demonstre corretamente o comportamento que está sendo treinado; e reforçamento e feedback, aumentando comportamentos adaptativos no paciente. Com relação ao comportamento queixa de dificuldades no relacionamento familiar, a paciente não trouxe no decorrer das sessões e, pôde-se entender que, por meio da analise das outras queixas, a paciente generalizou a aprendizagem, utilizando no contexto familiar. Visto que as intervenções tenham, aparentemente, se apresentado eficazes nas queixas e com isso a paciente tenha emitido comportamento socialmente adequados, as habilidades sociais e assertividade permanecem em déficit, sendo  necessária a permanência da paciente em processo terapêutico, a fim de ampliar seu repertorio assertivo e buscar a manutenção dessas mudanças.
 
Palavras-chave: terapia comportamental, clínica-escola, habilidades sociais. 

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