Os Caminhos da Psicologia

Consideramos a Psicologia uma ciência formada por quatro forças que entendem o homem. A ‘Primeira Força’, o Behaviorismo ou Psicologia Comportamental, tem por objeto de estudo as relações entre os estímulos e as respostas do sujeito. Dessas observações é possível trabalhar o condicionamento/ descondicionamento; analisar o comportamento, o sentimento e a visão do mundo. Tem como maiores vultos, Pavlov, Watson e B. Skinner.
A ‘Segunda Força’ é a Psicanálise e todo o movimento psicanalítico. A Psicanálise, além de ser um conjunto de teorias psicológicas e psicopatológicas, é um método de investigação que consiste essencialmente na evidenciação do significado inconsciente das palavras, das ações, das produções imaginárias de um indivíduo. O processo psicoterápico baseado nesta investigação é especificado pela interpretação da resistência, da transferência e do desejo. Alguns de seus maiores representantes além de S. Freud são M.Klein, J.Lacan e D.W. Winnicott.

A ‘Terceira Força’, a Psicologia Humanista ( e Existencial ), marca a crítica à postura mecanicista, determinista, fatalista, patologizante e reducionista das duas forças anteriores, sem negar suas valiosas contribuições. Por uma nova filosofia na Psicologia, propõe novas técnicas e posturas psicoterapêuticas. A Psicologia Humanista estuda os metavalores humanos, a criatividade, o amor, a autenticidade, a saúde plena, o crescimento além dos padrões e todo o potencial do homem, sem ser ingênua. Lida com a totalidade de cada pessoa no processo de vir-a-ser. Já a Psicologia Existencial coloca o homem em confronto com sua real condição, sua angústia de ser.

Fundamentada na Fenomenologia, preocupa-se com aquele hiato entre as aspirações e as limitações humanas. Devolve-nos o estado de solidão e exige responsabilidade por nossos atos. Juntas a Psicologia Existencial-Humanista sublinha a capacidade do homem para realizar-se em níveis de ser e de relacionar-se para além de seu estado atual. Aqui o homem é a fonte e o centro dos valores e os aspectos associados à saúde importam mais que os da doença. Busca-se a auto-realização caucada na realidade do homem e do mundo. O Existencialismo é uma doutrina austera e exige que se assuma a vida e o destino. Exige envolvimento e ação. Tem, portanto,uma tônica distinta da Psicologia Humanista que prefere celebrar o potencial do homem para a superação dos conflitos, para a alegria e expansão da consciência. Na ‘Terceira Força’ o Existencialismo é o pé que pisa no chão e a mão que cria o mundo e se responsabiliza por isso. O humanismo é o coração que sente o valor humano e os olhos que vislumbram o infinito.

Existir é emergir, revelar, sobressair. Psicoterapia Existencial é a investigação psicológica do indivíduo na busca de lhe fazer sobressair ou revelar, livremente, o que nele há de individual, particular, único e concreto. É a busca de sua auto-expressão mais autêntica e do seu compromisso com as próprias escolhas existenciais, visando sua realização plena.

Como surgiu a Psicoterapia Existencial? A Psicoterapia Existencial surgiu espontânea e simultaneamente, no início deste século, em diversos países da Europa: Alemanha, França, Suíça e Holanda como tentativa de superar uma certa insatisfação com relação à Psicanálise, tanto com os seus resultados clínicos quanto com a sua formulação teórica e, também, para procurar preencher algumas lacunas sobre a compreensão humana deixadas por ela. Entretanto não deve ser considerada como uma das correntes derivadas da Psicanálise, tais como as de Adler, Jung e muitos outros, pois dela muito se difere: com relação ao método Fenomenológico no lugar do Cartesiano e a técnica da Maiêutica no lugar da Interpretação, ou seja, o perguntar no lugar do explicar.

Como se caracteriza a Psicoterapia Existencial? Centra-se no encontro entre o Psicólogo e o Cliente. Utiliza como método a Fenomenologia e, como técnica, o diálogo socrático . Busca na auto-expressão autêntica o compromisso do indivíduo consigo mesmo, o sentimento de responsabilidade pela própria existência e a liberdade para o indivíduo fazer as suas próprias escolhas, descobrindo quem ele de fato é e construindo quem ele quer ser.

Quais os seus conceitos principais? Angústia, solidão, crises existenciais, centramento, liberdade, escolha, risco, compromisso, encontro, responsabilidade, autenticidade, diferenças individuais e projetos de vida.

A Psicologia Existencial-Humanista combina aspectos do existencialismo e do humanismo de um modo que reconhece a contribuição de ambas abordagens, ao mesmo tempo que procura evitar algumas de suas limitações e até divergências. Grandes nomes desta ‘Força’ são Carl Rogers, A. Maslow, C.G. Jung, F. Perls Laing, Basaglia D. Cooper. Uns se dedicando a ambas abordagens, outros a só uma das duas. Psicólogos existencialistas por excelência seria: Erwin Strauss e V. E. von Gebsatell na Alemanha, Eugene Minkowsky na França, Ludwig Binswanger, A. Storch, Medard Boss, G. Bally, Roland Kuhn e outros na Suíça e, ainda, J.H.Van Dem Berg, F. J. Buytendijk e outros na Holanda.

A ‘Quarta Força’, a Psicologia Transpessoal, tem como principal objetivo expandir o campo da pesquisa psicológica, incluindo áreas da experiência e do comportamento humano associados à transcendência. Investiga as capacidades e potencialidades humanas máximas. Nascida da Psicologia Humanista, a Psicologia Transpessoal se põe como o coroamento ao Humanismo. É seu ponto máximo. Procura estudar a consciência em si e seus estados alterados/transpessoais: a consciência unitiva, o ser em si, a essência, a bem-aventurância, etc. Preocupa-se em compreender os caminhos espirituais ocidentais e orientais, as teorias e práticas da meditação, a compaixão bem como conceitos, experiências e atividades afins. Tem amplas áreas de interesse que se estendem desde o estudo dos alucinógenos e drogas ampliadoras da consciência e percepção até o Zen-budismo, Ioga, Sufismo, Física, Biologia, Genética, Hipnologia, Neurologia, Psiquiatria, Sociologia, Arte, Cibernética, Antropologia, História, Filosofia, Mitologia, Religião ou Parapsicologia. A ‘Quarta Força’ se coloca como um instrumento de pequisa da natureza essencial do ser e assim busca ampliar os modelos anteriores do homem.

Da ‘Terceira e Quarta Forças’ surge a abordagem Holística em Psicologia. Holístico é um termo que vem do grego ‘Holos ‘ que significa todo, inteiro. É um novo paradigma que leva em consideração o todo e as partes em que o programa do todo se reflete, como num holograma. É um conceito que evita fragmentação, o reducionismo e totalitarismo, implicando em inter e transdiciplinaridade e reencontrando toda a produção humana e sua história. Na Psicologia, é uma perspectiva mais ampla possível e sugere que modelos tidos como antagônicos podem ser (até) complementares. Uma visão que abrange os modelos e interpretações do homem em um sistema hieráquico (necessidades, valores, potenciais). Alguns representantes importantes da ‘Quarta Força’ e abordagem Holística são: Stanislav Grof, Ken Wilber, Charles Tart, Pierre Weil e F. Capra.

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