O TOC nas abordagens psicanalíica, comportamentalista radical e das neurociências

8ª Jornada de Análise do Comportamento – UFSCar – 2009

Caio Graco Simões Lopes;
João Angelo Fantini 
Departamento de Psicologia, Universidade Federal de São Carlos

Apresentação Oral

Neste trabalho realizou-se uma pesquisa bibliográfica e um estudo puramente teórico, metodologicamente baseado em leitura e reflexão, visando cotejar os sistemas teóricos representados pela psicanálise clássica de Sigmund Freud, pelo comportamentalismo radical de Burrhus F. Skinner e pelas neurociências, com destaque para a psicofarmacologia. Objetivou-se refletir sobre a possível compatibilidade entre eles e buscar uma abordagem e uma linguagem que pudesse facilitar a compreensão destes sistemas. Foi feito, complementarmente, um ensaio da aplicação das conclusões à compreensão do transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Na comparação entre psicanálise e comportamentalismo radical privilegiou-se o diálogo com a crítica de Skinner à psicanálise, uma vez que Freud não comenta a obra de Skinner, devido à cronologia de suas obras. Como resultado concluiu-se que a psicanálise e o comportamentalismo radical são compatíveis e complementares num grau maior do que indica a crítica skinneriana. Outro resultado foi que a argumentação desenvolvida neste sentido, ao questionar o núcleo da divergência teórica abordada por Skinner, favorece pensar-se como o conhecimento da psicanálise pode acrescentar novos elementos à teorização e à pesquisa no âmbito do comportamentalismo radical e vice-versa e como desenvolvimentos neste sentido podem melhorar a prática clínica. Os resultados da comparação entre psicanálise, comportamentalismo radical e neurociências indicaram que Freud e Skinner, igualmente, consideravam que não cabia utilizar-se de conceitos fisiológicos em suas teorias e que hoje existem estudos neurológicos que tentam demonstrar a existência de estruturas do aparelho nervoso envolvidas nas dinâmicas funcionais do comportamento que propuseram. Também se pôde observar diferentes posturas de teóricos atuais de cada linha quanto à utilização de psicofármacos, sendo os psicanalistas os que apresentam maiores restrições ao seu uso. O resultado do trabalho demonstrou que este enfoque multidisciplinar evoca questões interessantes que, provavelmente, não surgiriam em um outro contexto.

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