Crônica da Cronologia

Trago aqui uma de minhas crônicas, reflexões sobre existência, sentimentos, sem qualquer pretenção, querendo apenas dividir essas reflexões.
É verdade, somos um corpo mecânico e eu sou conhecedor dessa mecânica, uma mecânica onde tudo tem um princípio e uma finalidade em níveis perfeitos de sincronia variável e complexa, um corpo que absorve e por conseqüência produz uma resposta, consequência essa, muitas vezes, inesperada e por assim dizer fugaz.

Somos essa máquina que não possui manual de instruções, não passamos por testes de qualidade e capacitação para sabermos se estamos aptos a enfrentar o que nos aguarda. O que nos aguarda? Temos noção concreta do que nos aguarda? Não. Temos sim o que chamamos de projeção do nosso futuro, de acordo com as circunstâncias do presente podemos elaborar um projeto em nosso labirinto mental, onde só o que nos convém da situação momentânea é a base incerta mas, plausível do projeto de nosso futuro.
     
Em cima deste criamos expectativas, desejamos e temos em mente que tudo de agradável e estável que minha situação emocional atual me proporciona perdure para o futuro previsto em meu projeto. Podemos criar a imagem ou então o projeto de nosso futuro, mas o espaço entre o presente e o futuro é onde os intempéries de nossa vida entram em cena, somos seres únicos e sem manual de instruções como disse antes, por assim dizer ninguém saberá como nos instruir até nosso almejado futuro virar presente, entramos sem teoria na prática, que gosto de chamar de “prática existencial”, somos a “prática”, vivemos a “prática” em nosso dia-a-dia. Ela nem sempre é satisfatória, mas leva a uma experiência, passamos por outra “prática” e adquirimos uma nova experiência, assim vivemos o espaço entre o presente e o futuro, até que ao sairmos de uma experiência a comparamos com outras passadas e tiramos uma conclusão construtiva e benévola, isso se chama sabedoria.Nesse espaço de tempo entre o presente e o futuro as “práticas existenciais” acabam nos distanciando do projeto inicial de futuro, e quando chegamos a um certo ponto de nossa vida e percebemos que nossas expectativas iniciais já não são alimentadas devido ao rumo totalmente diferente e inesperado que a “prática” nos levou, quando chegamos nesse momento, estamos no futuro que um dia nos preocupava e hoje é presente. Temos a lembrança emocional do que nos marcou, relacionamentos, amigos com o qual contávamos em nosso projeto de futuro, que hoje é o presente e muito diferente do que imaginamos. A lembrança saudável que nos faz rir sozinhos ou até mesmo chorar como se estivéssemos vivenciando aquela cena, um riso, um olhar, uma feição, uma palavra, encalacrada em nossa memória isso se chama sentimento.

Ao chegarmos nesse futuro, que agora é presente, esses sentimentos tomam conta de nosso ser, esse aglomerado de sentimentos define-se saudade. Mas do que temos saudade? De algo que um dia realmente nos marcou e em determinado tempo isso já foi presente, mas no futuro, que hoje é presente, isso se chama passado!

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