A Reciprocidade em Recursos Humanos

As relações de reciprocidade dentro das organizações, a entender, o desenvolvimento paralelo do desempenho do funcionário com a satisfação proporcionada ao mesmo por parte da organização, podem e devem ser implementadas, desenvolvidas e sempre aprimoradas (dependendo da condição atual desse desenvolvimento em cada organização) pelas diversas atuações possíveis do psicólogo. Tomaremos como foco a atividade do psicólogo que atua na área de recursos humanos, seja em setor interno de uma empresa, seja em consultoria especializada (embora seja importante ressaltar que essa atuação não seja a única possível por parte de psicólogos que desejem atuar com organizações!).

O psicólogo qualificado possui diversas ferramentas de análise tanto do desempenho dos funcionários como da satisfação que estes sentem em relação ao seu trabalho.  Algumas ferramentas mencionadas em aula, tais como o estudo da cultura organizacional através do método proposto por Hofstede, bem como modelos de gestão por competência tais como a avaliação de C.H.A, apenas para citar duas, possibilitam (juntamente, claro, com a competente interpretação de resultados por parte do profissional) a realização de tal análise.

O trabalho do psicólogo, no entanto, não termina na análise da situação. Esta compõe um diagnóstico que deve ser utilizado como base para a elaboração (ou não) de uma intervenção ativa por parte do psicólogo e da organização como um todo. Esse diagnóstico da, por assim dizer, "condição de reciprocidade" existente na organização, permitirá a identificação de pontos fracos a serem trabalhados, aspectos desejáveis a serem aprimorados, e pontos fortes a serem mantidos e disseminados.

Um exemplo a ser usado, portanto, da contribuição de um psicólogo no desenvolvimento das relações de reciprocidade pode ser retirado da seguinte situação hipotética: O psicólogo realiza um estudo a respeito das relações de reciprocidade, através do qual identifica gaps de performance, níveis de satisfação, etc., e a partir destes dados realiza certas atuações interventivas que visem melhorar gradualmente ambas as condições para a reciprocidade (desempenho e satisfação). Esse exemplo hipotético pretende ser uma generalização da contribuição do psicólogo nesse contexto, sendo necessário ressaltar que as formas de se realizar uma pesquisa para diagnóstico, bem como as possibilidades de demanda e intervenção aqui levantadas foram utilizadas com intenção de exemplo, representando apenas uma possibilidade entre inúmeras possíveis. A determinação de tais aspectos no trabalho a ser realizado, aliás, é outra contribuição exigida do psicólogo competente nesta atuação.

Acreditamos que existem dois principais dilemas que quase inevitavelmente são e serão enfrentados pelo psicólogo que atua dentro de organizações.O primeiro dilema se trata do fato que , devido à estrutura hierárquica perante a qual as organizações tendem a se estabelecer, o psicólogo atenderá à duas demandas que, em muitos casos, podem entrar em conflito: A demanda dos líderes diretores, presidente, etc., que é focada mais no aspecto do desempenho; e a demanda dos funcionários aos quais a atuação do psicólogo diz respeito, que, por sua vez, é focada no aspecto de satisfação.

Essa é uma simplificação muito grande dos complexos fatores que envolvem a dinâmica organizacional e da multiplicidade de interesses presentes em qualquer organização humana de certo porte, mas cabe analisar o problema dessa forma, acreditamos, pois o curso foi realmente breve e uma análise mais profunda exigiria um embasamento teórico impossível de ser transmitido no decorrer de apenas um semestre (ressaltamos, aliás, nossa insatisfação como alunos pela pouca atenção e espaço que nossa faculdade dá ao curso de psicologia organizacional).

Voltando, essa diferenciação de público e de demanda existente na organização coloca um importante dilema ao psicólogo, que em certos casos mais extremos terá que tomar decisões referentes à qual desses públicos terá sua demanda mais completamente atendida pela sua intervenção, dilema este que se torna tremendament

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