O Estresse em Indivíduos Cativos de Macaco Barrigudo, Lagothrix Lagotricha (HUMBOLDT, 1812)

Elisa Augusto dos Santos1; Milene de Paula Figueira2 wabinureba@gmail.com 1 Departamento de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal de São Carlos; 2 Departamento de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal de São Carlos

Os macacos barrigudos pertencem à família Atelidae e sua ocorrência limita-se a Floresta Amazônica. Geralmente são observados em subgrupos de quatro a seis indivíduos, com no mínimo um macho adulto presente. No Brasil, há 29 representantes de L. lagotricha cativos em instituições oficiais. Devido à importância da manutenção de animais em cativeiros como banco genético da espécie é preciso atentar para o fato do cativeiro deformar a vida psíquica dos animais, principalmente devido à ausência de certos estímulos no ambiente físico, reduzindo alguns padrões de comportamento. Animais sociais artificialmente confinados podem apresentar problemas no desenvolvimento emocional, sendo a estereotipia. Frente à frustração sem escape que o animal enfrenta no cativeiro a estereotipia pode funcionar como um tranquilizante, isolando-o mentalmente de ambientes com alto grau de estresse. A partir do momento que o estresse torna-se crônico, muitas enfermidades podem acometer o animal reduzindo seu sucesso reprodutivo, além de afetar sua saúde física e psicológica. A fim de conhecer o repertório comportamental e possíveis indicações de estresse dos indivíduos foi feita uma amostragem preliminar de todas as ocorrências ad libitum. Posteriormente foi adotado o método de amostragem do animal focal com registro contínuo, anotando-se a duração e frequência de todas as ocorrências do comportamento, até somarem-se 30h de observação por indivíduo. Os comportamentos anormais registrados foram: urinar na boca, jogar cabeça para trás repetidamente, levar cauda a boca, rodar a cabeça durante o deslocamento, manipular as próprias fezes, pacing, vocalização "eeolk" fora de contexto e muito tempo dedicado à masturbação. Também foram verificados muitos displays agonísticos, como chacoalhar a tela do recinto, arremessar objetos, bater os pés no teto do recinto, além de duas demonstrações de submissão dos machos em relação aos tratadores. A deformação do comportamento ocorre quando os animais são isolados e privados dos estímulos fornecidos pela vida grupal. Além disso, estudos apontam que animais criados em ambientes pobremente enriquecidos parecem apresentar uma organização do comportamento exploratório menos complexa e diversificada do que os animais criados em ambientes enriquecidos. Dentro da estereotipia, comportamentos autodirecionados e aberrantes que ocorrem sem motivo óbvio são mais graves, condição observada nos quatro indivíduos da pesquisa. Desta forma, faz-se necessário o enriquecimento dos recintos e acompanhamento de seu bem-estar.   

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