O que o behaviorismo radical tem a dizer sobre a homofobia no ambiente de trabalho? – Thiago de Almeida; José Airton da Silva; Maria Luiza Lourenço

A coerção é amplamente utilizada como comportamento discriminatório dirigido à pessoa homossexual, sendo utilizadas formas de assédios morais, terapias aversivas, assassinatos e outras topografias de manifestações homofóbicas. Essas práticas muitas vezes são reforçadas socialmente por outros indivíduos homofóbicos e podem geram respostas de fuga/esquiva nos homossexuais. Este trabalho tem como tema central o homofobismo no ambiente de trabalho e recorreu a um levantamento bibliográfico acerca deste tema. Argumenta-se que o preconceito contra homossexuais é reflexo da discriminação enfrentada por esses indivíduos na sociedade em geral, que ainda vê a homossexualidade como anormal e desviante. Nesse sentido fala-se em homofobia, termo utilizado e associado ao preconceito contra os homossexuais. O preconceito contra os homossexuais, isto é, a homofobia, no trabalho pode ser percebida sob as diversas ações de gestão organizacional que levam o indivíduo homossexual à demissão, a ser vítima de sanções e punições não decorrentes de mau comportamento ou desempenho ruim, mas à retaliação de oportunidades, à exclusão social dentro da empresa.  Partindo do pressuposto de que o preconceito é historicamente construído podemos afirmar que ninguém nasce preconceituoso, mas que a educação, a vivência em família, na escola, na comunidade torna as pessoas preconceituosas. Daí a necessidade de ações afirmativas mais sistemáticas para trabalhar o respeito à livre expressão sexual. Não raramente, a homossexualidade, o homoerotismo são considerados como atitudes anormais, desviantes e estranhas que evidenciam padrões de comportamento e convívio sociais não determinados pela sociedade. Em uma sociedade tradicionalmente patriarcal como é a brasileira, no sistema classificatório referente à sexualidade, tem-se a categoria heterossexual como referencial de normalidade; e a homossexual como categoria anômala negativamente sancionada. Contudo, é interessante poder observar que já existe uma predisposição da sociedade para debater este tema tão polêmico para alguns e tão natural para outros. A visão positiva da homossexualidade ainda está ofuscada pelo medo e pelo ódio infundados, baseados em mero preconceito. Talvez, pelo contato com uma pessoa do mesmo sexo ser uma contingência aversiva (por aprendizagem), a pessoa que manifesta o comportamento homofóbico frequentemente se questione ou negue uma característica natural da sua sexualidade, ou mesmo da sexualidade humana.

Com isso, convive com dúvidas acerca de sua própria sexualidade punindo-se, esquivando-se, enquanto poderia ter uma vida com outros reforçadores positivos, ou até mesmo descobrir que pode coexistir com a diferença do outro, aceitando a si mesmo e vivendo com ele de maneira espontânea, sem se punir ou esquivar do contato interpessoal.  Enfim, o preconceito e a humilhação não podem superar o desejo de ser feliz e intimidar o desejo de liberdade das pessoas e os direitos a viverem em sociedade.

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