Alto consumo de álcool e drogas pelos estudantes

O uso de substâncias psicoativas entre estudantes universitários é comum. Além disso, alunos com renda familiar mais elevada (acima de 40 salários mínimos) e que não praticam nenhum credo religioso formam o grupo mais exposto ao consumo.
O uso de substâncias psicoativas entre estudantes universitários é comum. Além disso, alunos com renda familiar mais elevada (acima de 40 salários mínimos) e que não praticam nenhum credo religioso formam o grupo mais exposto ao consumo.
Essas duas conclusões, que chegaram até a surpreender os pesquisadores, foram obtidas por meio de estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e publicado na edição de abril da Revista de Saúde Pública. Ao todo, foram aplicados 926 questionários aos alunos da área de ciências biológicas, entre os anos de 2000 e 2001. Todos os documentos são anônimos.

“Não é novidade que as pessoas mais religiosas usam menos drogas. Mas o que realmente surpreende é o uso elevado das substâncias investigadas entre indivíduos com renda mensal alta”, disse André Malbergier, coordenador do estudo, à Agência FAPESP.

Entre os alunos que se declararam adeptos de alguma religião, o consumo de álcool no período foi de 83,1%, o de tabaco 20,7% e o de drogas ilícitas 24,6%. No grupo dos agnósticos, as cifras obtidas, respectivamente, foram: 89,3%, 27,7% e 37,7%.

Enquanto que os alunos que estão em famílias ricas o consumo de álcool atingiu 92,2% e de drogas ilícitas 39,2%, na outra ponta da pirâmide social a situação é diferente. Estudantes oriundos de famílias com renda mensal menor que 10 salários mínimos consumiram menos álcool (75,2%) e drogas ilícitas (16,7%).

“Esses dados vêm quebrar o mito de que a droga só é consumida entre populações de baixa renda”, explica Malbergier. “Quando pegamos um grupo mais seleto formado por universitários, percebemos que a droga não distingue classes sociais”, explica. “Parece óbvio, mas quem tem dinheiro compra mais e isso facilita o acesso dos mais ricos a qualquer tipo de entorpecente.”

Os usuários de álcool, tabaco e drogas ilícitas apresentaram maior freqüência aos centros acadêmicos e associações esportivas que os não usuários dessas substâncias psicoativas. “Ainda não sabemos se o ambiente dos centros acadêmicos influencia o consumo da droga, ou se, pelo fato de já serem potenciais usuários, alguns alunos naturalmente procuram o convívio nesses grupos estudantis”, conta.

Foi verificado ainda que esses usuários faltam mais às aulas, gerando prejuízos que vão desde a menor dedicação ao estudo (inclusive fora dos períodos de aula) até a reprovação. Os alunos que admitiram usar álcool e drogas também costumam ir menos à biblioteca.

“Nossa pesquisa teve como base o padrão de consumo de estudantes da área de ciências biológicas, futuros profissionais da saúde. É justamente durante a formação desses alunos que esse assunto deve ser amplamente discutido para a implementação de medidas que reduzam tal consumo”, afirma Malbergier, que assinou o artigo ao lado de Leonardo Rueda Silva, Vladimir Stempliuk e Arthur de Andrade, pesquisadores do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea), vinculado ao Departamento e Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=5404]www.agencia.fapesp.br[/url]

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