Empresa desenvolve técnica para simplificar produção de textos em braille

Apesar dos avanços observados nos últimos anos em relação ao uso do código braille, uma das dificuldades que ainda existem está relacionada à produção de textos. Escrever os 63 caracteres presentes no sistema, feitos a partir de seis pontos em alto relevo, é tarefa bastante complicada.
Apesar dos avanços observados nos últimos anos em relação ao uso do código braille, uma das dificuldades que ainda existem está relacionada à produção de textos. Escrever os 63 caracteres presentes no sistema, feitos a partir de seis pontos em alto relevo, é tarefa bastante complicada.
Com os instrumentos mais usados atualmente – uma prancheta com orifícios em baixo relevo e uma peça pontiaguda para as marcações –, há duas dificuldades principais. A primeira é que a produção do texto terem que ser feita da direita para a esquerda. A segunda é que a letra também deve ser invertida. O motivo é que, nos sistemas convencionais de gravação em braille, o papel é pressionado para baixo, ou seja, as marcas – que serão sentidas com os dedos – ficam no inverso da folha. Esses obstáculos complicam bastante a alfabetização de portadores de deficiência visual.

“Todo o problema está relacionado com o baixo relevo. Por conta disso, há um trabalho dobrado de ter que aprender a ler em um sentido e escrever no outro”, explica Aline Piccoli Otalara, bióloga e coordenadora da Tecnologia e Ciência Educacional (Tece), uma das empresas residentes na Incubadora de Base Tecnológica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro.

Aline, por meio da Tece, há dois anos estuda como melhorar o material didático disponível a portadores de deficiência visual. A pesquisadora e seus colegas desenvolveram um novo conjunto para o ensino do braille, formado por uma régua e uma caneta.

“É simples como parece. No sistema, os caracteres aparecem na folha em alto relevo, ou seja, para o lado de cima da folha. É como se fosse uma caneta sem carga, que prende nas meias esferas presentes na régua, puxando o papel para fazer o conjunto de pontos que correspondem a cada sinal”, explica.

Segundo a também professora, desde os anos 1980 alguns pesquisadores têm tentado desenvolver sistemas de alto relevo, sempre com dificuldades principalmente técnicas, como o material usado na régua. “Conseguimos fazer isso com baixo custo”, disse Aline.

A idéia de desenvolver materiais que poderão acelerar a produção de textos em braille, e conseqüentemente melhorar a alfabetização dos deficientes visuais, surgiu na sala de aula. “Ensinava em uma escola municipal, em Rio Claro, e na classe estava um menino de 4 anos com deficiência visual. Logo em seguida, participei de um projeto feito pela Unesp e pelo Ministério da Educação, para a produção de material didático em braille. Com tudo isso, constatei a carência de métodos mais simples de produção do código”, disse.

O grupo de consultores do projeto que estão testando as novas canetas e réguas é bastante heterogêneo. “Temos pessoas de vários níveis sociais e de uma faixa etária que vai dos 10 aos 70 anos. Nosso consultor mais idoso é o professor Manuel Carnahyba, docente aposentado do Instituto de Biociências da Unesp, que tem problemas de visão desde a infância”, conta Aline.

A novidade, que já teve pedido de patente solicitado pelo pesquisadores, tem despertado o interesse do setor empresarial. “Estamos conversando com algumas empresas que demonstraram interesse em nossa tecnologia”, explica Aline.

Fonte: [url=http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=6143]www.agencia.fapesp.br[/url]

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