A luta para ser

No capítulo “A luta para ser” do livro “O homem à procura de si mesmo” do Rollo May, o autor fala dos conflitos internos e externos para nos livrarmos das nossas dependências no longo caminho para a autoconsciência.
Para a maioria das pessoas, alcançar a autoconsciência significa conflito. Descobrem que, além de aprender a sentir, a experimentar e a querer, têm que lutar contra o que os impedem tal aprendizado. E percebem que estão atados pelos elos que os prendem aos pais, especialmente à mãe em nossa cultura.
 
O desenvolvimento de uma pessoa pode ser visto como um processo de diferenciação entre ela e o resto do mundo e um relacionamento com o seu semelhante em plano mais elevado. Já que o ser humano só realiza sua individualidade por meio de uma opção consciente e responsável, precisa tornar-se indivíduo tanto do ponto de vista físico como moral e psicológico.
 
O bebê torna-se fisicamente indivíduo quando o cordão umbilical é cortado ao nascer. Porém, se o cordão psicológico não for cortado no momento certo, essa pessoa permanecerá uma criança insegura e dependente dos pais. Essa pessoa provavelmente, mesmo “adulta” cronologicamente, tenderá diante a qualquer crise voltar para a “barra da saia da mãe”. Sendo que estar amarrado à mãe não é amá-la de verdade, é estar impedido de amar outras pessoas e de viver sua própria vida. A tendência a permanecer preso é, hoje, muito forte, porque a sociedade, demasiado alterada, deixou de ser “mãe” no sentido de dar apoio e acolher o indivíduo que, estão, tende a agarrar-se à mãe real. Nessa busca de se libertar dessas cadeias, muitas dificuldades são encontradas.
 
Sob o domínio de uma mãe repressora e exploradora, naturalmente a criança pode proteger-se por algum tempo procurando ser tão pequenina quanto possível, evitando, assim, os embates e as “flechadas de terrível fortuna”. Depois, o indivíduo pode tentar “erguer armas contra um mar de obstáculos” e lutar ativamente para conquistar sua liberdade de pessoa humana.
 
A luta por essa liberdade é ilustrada por um dos maiores dramas de todos os tempos, o de Orestes: Orestes foi exilado de Micenas, Grécia, pela mãe Clitemnestra, que foi amante de seu tio Egisto enquanto seu pai Agamenon estava em guerra contra Tróia. E quando Agamenon voltou a Micenas foi assassinado por Clitemnestra, que exilou o filho e manteve a filha Electra como serva. Com a maioridade, Orestes volta para matar a mãe. Depois de matá-la, fica louco e é perseguido pelo remorso. É julgado em Atenas, em que a deusa da sabedoria Atena o salva das punições.

About Tania Montandon

graduação: Psicologia Clínica pela Universidade FUMEC em 2002

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