A ‘radicalidade’ no behaviorismo Skinneriano e o conceito de contingências de reforço

7ª Jornada de Análise do Comportamento – UFSCar. 2008

Leão, M. F. F. C[1].  
mona_freitas@hotmail.com

Laurenti, C[2].
carolinapsicologia@hotmail.com

[1]Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – Campus Paranaíba;
[2] Universidade Federal de São Carlos 

Geralmente o termo ‘radical’, empregado para caracterizar o Behaviorismo de Skinner, designa a defesa de um tratamento científico dos eventos privados, em contraposição ao Behaviorismo Metodológico, que negava essa possibilidade. O objetivo do presente trabalho é propor uma interpretação alternativa da ‘radicalidade’ do Behaviorismo skinneriano, levando em consideração dois aspectos: (1) o estatuto do comportamento na explicação skinneriana, e (2) o conceito de contingências de reforço. Com relação ao primeiro ponto, examinar-se-á o estatuto do comportamento no modelo de explicação behaviorista skinneriano, contrastando-o com algumas explicações tradicionais do comportamento, a saber, a mentalista e a fisiológica. Apesar de o mentalismo e de o fisiologismo serem explicações supostamente antagônicas, elas apresentam algo em comum: consideram o comportamento como um mero “sintoma” de processos (mentais ou fisiológicos) subjacentes. Já no Behaviorismo skinneriano, o comportamento não assume um estatuto secundário, mas é tratado como um objeto de estudo em si mesmo. Defende-se, aqui, que a autonomia do comportamento  como objeto de estudo é garantida pelo conceito de contingências de reforço.  Com esse conceito, Skinner explica o comportamento por meio da inter-relação entre: 1) a ocasião na qual ocorreu a resposta, 2) a própria resposta e 3) a conseqüência reforçadora. Nesse sentido, a ‘radicalidade’ do sistema explicativo skinneriano seria encontrada na constituição de um “campo comportamental” que evita sistemas ou conceitos “externos” ao comportamento. Além de redefinir o sentido de ‘radical’, esse aspecto distancia o  Behaviorismo skinneriano de outros behaviorismos, como os de Watson, Tolman e Hull, que acabaram recorrendo a processos não comportamentais para explicar a relação entre organismo e ambiente. Sob essa perspectiva, os eventos privados são  inseridos em uma ciência do comportamento porque são interpretados como fenômenos de natureza comportamental; e o estudo desses fenômenos pode ser conduzido sem ultrapassar  as relações comportamentais, pois agora são examinados em termos de contingências de reforço predominantemente verbais.  

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