Psicoterapia para vítimas de violência

Agência FAPESP – Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, professora titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi premiada na semana passada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), em Washington, nos Estados Unidos, por sua contribuição na criação de um serviço de psicoterapia para mulheres vítimas de violência.

Agência FAPESP – Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, professora titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi premiada na semana passada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), em Washington, nos Estados Unidos, por sua contribuição na criação de um serviço de psicoterapia para mulheres vítimas de violência.

O trabalho apresentado por Lúcia, intitulado O empoderamento de famílias para combater a violência doméstica, ficou em primeiro lugar entre experiências participantes de 19 países das Américas e recebeu o prêmio “Práticas exemplares que incorporam uma perspectiva de gênero e etnia em saúde”.
        
O estudo aborda projetos de extensão universitária desenvolvidos na UFSCar no âmbito de iniciativas como os programas de combate, prevenção e de intervenção psicológica junto a mulheres vítimas de violência, desenvolvidos pelo Laboratório de Análise e Prevenção da Violência (Laprev), núcleo gerador de pesquisas para a melhor compreensão e enfrentamento do fenômeno.
       
“O estudo descreve a atuação do Laprev em ensino, pesquisa e extensão em violência intrafamiliar”, disse Lúcia, coordenadora do laboratório, à Agência FAPESP. “O trabalho de extensão teve início em uma delegacia de defesa da mulher em 1998, sendo caracterizado pelo atendimento psicológico a vítimas por estagiários do curso de graduação em psicologia da universidade.”
       
Em 2000, o trabalho foi expandido para incluir atendimentos a famílias e crianças em conselhos tutelares da cidade de São Paulo e, no ano seguinte, foi criada a Casa-Abrigo Gravelina T. Lemes. “Trata-se da primeira instalação dessa natureza fundada em São Carlos pela prefeitura municipal, sendo que suas ações são resultado de estudos do Laprev”, explicou.
       
Em 2006, complementa a docente, as ações desenvolvidas nas delegacias das mulheres foram transferidas para a Unidade Saúde-Escola (USE) da UFSCar, um ambulatório de saúde que envolve seis departamentos da universidade.
       
Os objetivos da USE, segundo Lúcia, são inserir as ações do Laprev no Sistema Único de Saúde em todo o Estado de São Paulo e aumentar a interdisciplinaridade na UFSCar, gerando um serviço mais abrangente e dando a oportunidade para que outras profissionais da saúde se interessem pela temática de violência contra a mulher.
       
A pesquisadora destaca a importância do apoio da FAPESP desde o início do trabalho em diversas modalidades, entre os quais bolsas de Iniciação Científica, Mestrado e Pós-doutorado. “A FAPESP tem apoiado também a nossa ida a diversos congressos internacionais na área”, disse.
       
       
Referência no combate à violência
       
De acordo com Lúcia, para enfrentar o problema da violência contra a mulher é preciso envolver toda a família, a escola e a comunidade. “O trabalho com o agressor, ainda pouco frequente no Brasil, é fundamental para que ele conheça e possa aplicar outras formas de resolução de conflitos. O acompanhamento psicológico das crianças também é importante porque elas geralmente carregam sequelas da violência intrafamiliar”, conta.
       
“O referencial teórico de atuação no Laprev é conhecido como ‘modelo cognitivo-comportamental’, que prioriza a prática apoiada em evidências. Já atendemos cerca de 800 pessoas entre mulheres, homens e crianças”, afirmou.
       
A carta de premiação recebida pela coordenadora do Laprev descreve que seu trabalho foi selecionado, entre outros quesitos, pelo “uso de estratégias transformadoras no trabalho com grupos de homens e mulheres, pelo uso do enfoques inovadores, multidisciplinares e multissetoriais e por seu efeito multiplicador” após ter passado a integrar a Unidade Saúde-Escola (USE) da UFSCar.
       
“Concorremos com outros 43 trabalhos inscritos de 19 países. O prêmio é uma honra para todos os alunos e professores envolvidos com os programas de intervenção psicológica, combate e prevenção à violência”, disse.
       
Como parte da premiação em Washington, que integrou as comemorações do Dia Internacional da Mulher, a Opas concedeu US$ 5 mil para a publicação de livros em espanhol e inglês que descreverão as práticas do Laprev. “Esse material será utilizado em programas de capacitação da Opas em diversos países”, destaca Lúcia.
       
Os trabalhos desenvolvidos no Laprev renderam outros livros e dezenas de artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais, além de apresentações em congressos científicos no Brasil e no exterior, cuja relação pode ser vista no site do laboratório.
       
Mais informações: www.ufscar.br/laprev 

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