Psemes: Evolução por Selecção Psicológica

Continuando o meu artigo anterior, Psemes: para além dos genes e dos memes     ( Resende, 2010 ), venho propôr neste artigo que características psicológicas e processos psicológicos que ocorrem nos humanos vão ser alvo de pressões selectivas, que vão orientar a evolução psicológica dos psemes.Os processos referidos são a separação-individuação, que ocorre na infância, e que nos foi descrito por Margaret Mahler, e o processo de individuação, descrito por Jung ( Jung, 1988; Shultz & Shultz, 2006 ), que ocorrerá, por volta dos 45-55 anos de idade, pela meia-idade. Este último processo poderá ocorrer, para o autor, com a ajuda psicoterapêutica e a uma idade mais precoce.
Os psemes, como indicado no artigo anterior, já referido, indicam-nos que há padrões psicológicos e de funcionamento psíquico que são transmitidos intergeracionalmente, com base nas relações de objecto internalizadas, de uma forma inconsciente.

Ora, um dos processos que interferem nestes padrões são a separação-individuação, que ocorre na infância, que permitirá a alguns indivíduos serem mais diferenciados do que outros, já que é de experiência clínica e quotidiana, haver diferentes graus de diferenciação psicológica nos indivíduos, diferentes graus de individuação. Há, pois, variabilidade psicológica, que poderá sofrer pressões selectivas, a nível psicológico, da mesma maneira que a variabilidade genética.A pressão selectiva para indivíduos diferenciados fará com que surjam, normalmente, na geração seguinte, também indivíduos mais diferenciados, já que, como indicado, estes padrões psicológicos e de funcionamento psíquico transmitem-se intergeracionalmente. Mas a questão é que os menos diferenciados também transmitirão as suas características, pela razão já aduzida.

Distinguem-se, pois, a transmissão genética da psicológica, no sentido de na genética haver pressão para que as características melhor adaptadas sobrevivam enquanto que na transmissão psicológica todas as características são transmitidas.

O mesmo raciocínio se pode estabelecer para a Individuação, que Jung nos fala, do indivíduo ficar em Si-Mesmo. Traz variabilidade psicológica na qual actuam pressões selectivas que vão fazer com que indivíduos Individuados, ou mais Individuados, transmitam essas características aos seus descendentes, e menos Individuados transmitam essas mesmas características, de menor Individuação, diferenciação psicológica, aos seus descendentes.Isto baseia-se no facto de que existem diferentes níveis de individuação, de diferenciação psicológica, entre os indivíduos.

Como se depreende, a distinção entre transmissão psmética e transmissão genética, é que nesta última, a variabilidade genética pode levar a que os indivíduos menos adaptados acabem por morrer, por selecção natural, enquanto que na transmissão psmética, a variabilidade psmética ( de diferenciação ) permite que, precisamente, todas essas diferentes características sejam transmitidas, com progenitores mais individuados a criarem crianças mais individuadas e menos individuados a criarem crianças menos individuadas, e isto por selecção psicológica.Assim, tem-se que, na selecção natural, a variabilidade genética pode levar à morte, enquanto que na selecção psicológica, a variabilidade psmética não interfere directamente na sobrevivência física dos indivíduos nem na sua capacidade de atingir a idade de procriação e procriar.Haverão factores importantes a interferir na transmissão psmética como a morte de um ou dos dois progenitores e a separação, mais ou menos traumática, entre progenitor(es) e criança.

Bibliografia

Jung, C. G. ( 1988 ). A práctica da psicoterapia in Obras Completas de C. G. Jung, Vol. XVI ( tradução portuguesa ). Petrópolis: Editora Vozes. ( Edição original: 1971 )
Resende, S. ( 2010 ). Psemes: para além dos genes e dos memes in www.redepsi.com.br, em secção Artigos / Teorias e Sistemas no Campo Psi em 27/05/2010
Shultz, D. P. & Shultz, S. E. ( 2006 ). Teorias da Personalidade. ( Tradução portuguesa ) São paulo: Thomson Learning Edições. ( Edição original: Theories of personality, 2002 )

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