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Um Estudo Fenomenológico-Existencial dos Estilos Parentais

Partindo do pressuposto que nos estudos sobre desenvolvimento humano em psicologia, a pesquisa sobre estilos parentais verifica a relação entre as práticas parentais e a influência no desenvolvimento da personalidade dos filhos, assim, percebe-se a importância de se olhar de perto como ocorre cada relação estabelecida entre pai-filho em cada estilo parental e observar as influências desta, analisando-as através da psicologia existencial.Desta forma, a psicologia existencial surge na intenção de se sair da generalização, do universal quando se refere à existência humana e sua manifestação, partindo para o particular, o individual de cada modo de existir. Piccino (1) afirma que o existencialismo se estabelece como análise da estrutura constitutiva do homem, sua existência, seu modo de estar aberto ao mundo, estar em contato, em relação com, e é nessa relação que cada ser humano vai se constituindo.Rudio(2) acrescenta que no existencialismo o homem não recebe sua existência como uma obra pronta e já acabada, ele vai se construindo, sendo que este "construir-se" é poder criar-se a si mesmo a todo momento, em cada escolha que faz.Piccino (1) esclarece ainda, que a existência humana deve partir dela mesma e evidenciá-la por meio da fenomenologia. Esta, de acordo com Erthal (3), se constitui em um método criado por Husserl, que nada mais é que o estudo dos fenômenos, tais como eles se apresentam.Já com relação ao estilo parental, Oliveira et al. (4); Weber e colaboradores (5); Teixeira e Lopes (6), o caracterizam como um conjunto de atitudes e práticas dos pais para com seus filhos, que define o clima emocional e psicológico destes.Pode ser definido também como um contexto em que os pais influenciam seus filhos, no qual se expressam as várias práticas ou comportamentos dos pais.Tais práticas ou comportamentos estão, muitas vezes, relacionados às questões de poder, hierarquia, apoio emocional e estímulo a autonomia que os pais têm para com seus filhos. Darling e Steinberg apud Weber et al.(7)também entendem que o estilo parental é estabelecido, muitas vezes, de acordo com as crenças e valores dos pais. Alvarenga apud Weber et al.(8), acrescenta que as práticas parentais correspondem a comportamentos definidos por conteúdos específicos e com objetivos de socialização,sendo então, estratégias usadas para suprimir comportamentos considerados inadequados ou incentivar a ocorrência de comportamentos adequados.Teixeira e Lopes (6) apresentam um modelo elaborado por Maccoby e Martin que propõe a existência de duas dimensões fundamentais de práticas educativas, sendo que estas estão diretamente relacionadas com o estilo parental utilizado. Tais dimensões são denominadas exigência e responsividade, sendo a primeira referente ao quanto os pais estão disponíveis para agirem como agentes socializadores de seus filhos, exercendo disciplina de modo consistente, e a segunda inclui atitudes compreensivas dos pais que visam desenvolver a auto-afirmação dos filhos através de apoio emocional, comunicação recíproca e estímulo à autonomia.Seguindo esta perspectiva, Weber et al. (7) afirma que Baumrind formulou três protótipos parentais, o permissivo, o autoritário e o autoritativo ou democrático-recíproco. Posteriormente, de acordo com Oliveira et al. (4), Maccoby e Martin dividiram o estilo parental permissivo em negligente e indulgente, diferenciando-os pelo maior envolvimento parental do segundo em relação ao primeiro, vale ressaltar ainda, que os referidos estilos parentais serão descritos posteriormente.Sabendo-se que o estilo parental é estabelecido no contexto da relação pai-filho, verifica-se que estes desempenham grande influência na construção do ser e consequentemente no seu comportamento, modo de ser, estar e perceber o mundo. Isto reflete a importância do estudo de tais estilos para a observação e esclarecimento das relações pai-filho mais saudáveis e adequadas, que acarretam em um desenvolvimento físico, psíquico e social, também mais saudável e adequado.Erthal (3) esclarece que o homem se constrói nas relações que estabelece, e que a existência humana é uma relação constante do ser humano consigo mesmo e com o mundo, sendo este apresentado e representado pelas figuras parentais. Assim, percebe-se a importância da relação parental na construção da existência humana, pois é a partir desta relação que o ser passa a se perceber e se relacionar com o mundo.Com relação a esta construção do ser humano na relação, Jesus e Ribeiro (9) acrescentam que para Heidegger, a existência possui como estrutura fundamental, o ser-no-mundo, assim o nosso ser está diretamente relacionado com o modo como habitamos esse mundo, sendo este habitar o modo como o homem, ao se relacionar com as suas possibilidades de ser, constrói o mundo que o circunda.Desta forma, o presente artigo tem como objetivo realizar uma análise fenomenológica-existencial dos estilos parentais através dos estudos realizados na última década, onde se descreverá os mais recorrentes na literatura, visando uma maior aproximação do fenômeno da relação entre pais e filhos, especificamente no que se refere à ação educativa dos pais, analisando-os a luz da psicologia existencial.
REVISÃO DE LITERATURA

Na literatura encontra-se diversas pesquisas sobre a influência dos estilos parentais no desenvolvimento humano, principalmente no que se refere ao desenvolvimento psicossocial da criança e sua relação com o meio em que vive. Neste sentido, Papalia e Olds (10) afirmam que as expressões da criança, desde lágrimas, crises de mau humor, barulho, até a expressão enfática do que elas querem fazer, indicam uma transição da dependência do bebê para uma maior independência na infância, sendo que tal transição tem suas raízes no desenvolvimento da personalidade e nos relacionamentos com os pais e outros desde o primeiro dia de vida.Considerando tais relações do ser humano com o mundo, Piccino (1) afirma que o existencialismo faz uma análise que tem como ponto de partida o viver cotidiano, a vida concreta do homem no e com o mundo. Assim, para o existencialismo é a estrutura homem-mundo, a estrutura do entrelaçamento do homem com o mundo que deve ser levada em consideração. Para que seja possível esta análise do ser concreto em relação, o existencialismo faz uso do método fenomenológico, introduzido por Husserl, que Forghieri (11) descreve como "ir ao próprio fenômeno para desvendá-lo, tal como se mostra em si mesmo".Nesta estrutura homem-mundo, Erthal (3) afirma que o homem precisa escolher a cada momento, na sua relação com este mundo, o que será no momento seguinte, e portanto só existindo poderá ser, daí parte afirmação de Sartre "a existência precede à essência".Para Sartre a liberdade, como a possibilidade de autocriação, ou seja, do indivíduo se escolher, é geradora de angústia, onde o ser experimenta um mal-estar, nomeado como "náusea". A consequência desse mal-estar é a responsabilidade de si próprio por sua existência, sendo a náusea, o medo diante desta liberdade em se escolher.Desta forma, Erthal (3) esclarece que a escolha constitui uma das noções mais importantes também da filosofia de Kierkegaard, o primeiro representante da filosofia existencial, onde afirma que esta é um risco por sua própria incerteza, mas se faz necessária e livre. O mesmo filósofo descreve ainda, a existência humana em três estágios: o estético, o ético e o religioso. No primeiro, na busca de um sentido para sua existência, o indivíduo se coloca ao sabor dos impulsos, não proporcionando uma realização plena, apenas uma atualização transitória. No segundo, a liberdade fica limitada pelo social, pelo dever e às exigências que o indivíduo está exposto, quando chega ao extremo desta etapa é levado à contradição, pois com a idéia de pecado surge o arrependimento e acredita-se que é necessário ultrapassar este estágio, chegando na terceira e última etapa, a religiosa. Nesta, o desespero diante do vazio e a ansiedade, ajudam o indivíduo a escolher, independente de critérios pulsivos, racionais ou regras universais.A mesma autora menciona também Heidegger, criador do moderno existencialismo alemão, que afirmava que a característica básica do Dasein (o ser-aí, o ser do sujeito existente) é a sua abertura para perceber e responder a tudo aquilo que está na sua presença, é o ser-no-mundo. Estar no mundo é a determinação fundamental do Dasein, a ele estamos ligados, e assim, existindo no mundo, mantemos relação com outros Dasein, que convivem conosco, o que nos torna em ser-com ou um ser-em-relação. Este estar-no-mundo com outros, estabelece uma ligação entre os Dasein de tal forma que não há distinção entre eles: estar-no-mundo é viver num mundo em comum.Erthal(3) esclarece ainda, que Heidegger apresenta o Dasein como a possibilidade concreta da existência do ser, sendo possibilidade, é preciso escolher a cada momento entre uma existência autêntica ou inautêntica. A primeira é onde a pessoa toma consciência de sua existência, pois na angústia, decorrente do contato com o nada do qual surgiu, ele interpreta suas possibilidades e estabelece seu projeto, que é o de fazer existir tais possibilidades. Já na segunda, o indivíduo suspende a responsabilidade de se escolher para dar lugar a uma espécie de responsabilidade comum.Nesta mesma perspectiva, Erthal (3) cita a "má-fé" de Sartre, onde o indivíduo finge escolher, numa tentativa de evitar sentir a angústia da liberdade, assim ele se deixa iludir pela idéia de que é determinado, de que tem um destino a cumprir. A mesma autora ao se referir a Sartre, traz a noção de ser-para-o-outro, onde a consciência do ser apenas se revela a partir da relação que mantém com outras consciências. É exatamente no confronto com o outro que se assegura o direito à individualidade. Contudo, o indivíduo tenta se transformar exatamente naquilo como aparece para o outro, e então a única defesa para conseguir preservar a liberdade é invertendo a situação, tornando-se ser-em-si. Para Sartre o conflito é a essência das relações humanas, onde o ser sente-se existir ou é objeto para o outro.Entre as relações humanas, os estilos parentais é uma delas. Na literatura pode-se observar a ocorrência de quatro estilos diferentes, como já apresentado anteriormente. Sendo que o primeiro a ser descrito por Baumrind apud Weber et al. (8) é o estilo parental autoritativo ou, também chamado de democrático-recíproco, onde os pais tentam direcionar as atividades de suas crianças de maneira racional e orientada, incentivam o diálogo e exercem firme controle nos pontos de divergência, qualificam a opinião de seus filhos e apresentam sua perspectiva de adulto. Desta forma, Baldwin apud Oliveira et al. (4) caracteriza este estilo parental pela tentativa amistosa de envolver ativamente a criança no processo decisório familiar.Weber et al. (7) complementa ainda, que em tal estilo parental os pais possuem alta responsividade e exigência, ou seja, compreendem as atitudes, opiniões, decisões e comportamentos dos filhos, além de impor-lhes limites e regras. Da mesma forma, Teixeira e Lopes (6) afirmam que estes pais cobram certos comportamentos de seus filhos, mas também atendem as necessidades emocionais destes, colaborando com suas dificuldades e servindo-lhes de apoio. Baumrind apud Weber et al. (7) também descreve o estilo parental autoritário como um estilo onde os pais modelam, controlam e avaliam o comportamento da criança de acordo com regras de conduta estabelecidas e normalmente absolutas. Estes também são favoráveis a medidas punitivas quando a criança entra em conflito com o que os pais acham corretos.Baldwin apud Oliveira et al. (4) acrescenta ainda, que tal estilo parental é invariavelmente impositivo e hostil ou insensível aos interesses e vontades da criança. Desta forma, Weber et al.(7) afirma que neste estilo os pais possuem alta exigência e baixa responsividade, ou seja, impõem muitos limites e regras e possuem pouquíssimas atitudes de compreensão para com seus filhos.Já no estilo parental indulgente,Weber e colaboradores(5) afirmam que estes pais apresentam muito afeto e envolvimento e poucas regras e limites, dão muito apoio e atenção emocional, mas pouca estrutura e direcionamento aos filhos,eles permitem tudo ou são inconsistentes.A pouca resistência apresentada por estes pais, acaba levando a crianças mimadas e falta de resistência à frustração, por parte destas.Teixeira e Lopes (6) e Weber et al. (7) acrescentam ainda que neste estilo parental os pais possuem alta responsividade e baixa exigência, sendo então mais compreensivos com seus filhos e auxiliando o desenvolvimento da auto-afirmação destes, porém controlam menos o comportamento dos filhos, sendo menos disponíveis para agirem como agentes socializadores, não estabelecendo expectativas de desempenho, nem exercendo disciplina de modo consistente.Por fim, com relação ao estilo parental negligente, Maccoby e Martin apud Weber et al. (8) e Oliveira et al.(4) informam que este não pode ser confundido com a negligência abusiva, ele refere-se a pais que não se envolvem com seus papéis de pais.Em tal estilo parental os pais não se apresentam como agentes responsáveis por moldarem ou direcionarem o comportamento dos filhos, além de apresentarem baixo envolvimento parental.Complementando, Teixeira e Lopes (6) e Weber et al. (8) afirmam que neste estilo parental os pais não são nem responsivos, nem exigentes, ou seja não são amorosos, envolvidos, compreensivos, nem promovem o desenvolvimento da auto-afirmação dos filhos, além de não agirem como agentes socializadores destes, supervisionando, controlando e monitorando seu comportamento, não impõem regras e nem exigem o cumprimento delas.Para Gomide (12) a relação estabelecida nos estilos parentais, também pode ser analisada através do conjunto de práticas educativas parentais ou atitudes parentais utilizadas pelos cuidadores com o objetivo de educar, socializar e controlar o comportamento de seus filhos. Tais práticas podem ser divididas entre negativas e positivas, e a predominância maior de uma destas torna o estilo parental mais negativo ou positivo, respectivamente. A autora supracitada esclarece que de modo geral, as práticas educativas positivas se dividem em: monitoria positiva, onde há o uso adequado da atenção, o estabelecimento de regras, distribuição contínua e segura de afeto; o comportamento moral, onde há a promoção de condições para o desenvolvimento de empatia, senso de justiça, responsabilidade entre outros. Já as práticas educativas negativas envolvem a negligência, o abuso físico e psicológico, a disciplina relaxada, a punição inconsistente e a monitoria negativa, onde há excesso de instruções independente de seu cumprimento e a geração de um ambiente de convivência hostil.

MATERIAL E MÉTODOS

Esta pesquisa foi realizada por meio de revisão bibliográfica que buscou artigos sobre estilos parentais publicados na última década, ou seja, dos anos de 2001 a 2011. Buscou-se através de banco de dados eletrônico, tais como scielo, bvs, pepsic, e de algumas Universidades que disponibilizam pesquisas em psicologia, no período de maio a julho de 2011. As palavras chaves utilizadas foram: estilos parentais, práticas parentais, relação pais e filhos e práticas educativas.Com relação aos dados pesquisados sobre a psicologia existencial, buscou-se bibliografia em livros e periódicos com a referida temática.

RESULTADOS 

O fenômeno aqui pesquisado se constitui na relação pai-filho encontrada nos diferentes estilos parentais e sua influência no indivíduo, seu comportamento e sua relação com o mundo. Sendo assim, encontrou-se onze artigos sobre estilos parentais, onde os resultados obtidos se seguem.Dentre tais artigos, há a pesquisa desenvolvida por Teixeira e Lopes (6) sobre estilos parentais e valores humanos, onde percebeu-se que o clima de comunicação bidirecional, característico do estilo parental autoritativo ou democrático-recíproco, facilita a internalização dos valores familiares e leva ao desenvolvimento de um padrão motivacional mais intrínseco, ou seja, a motivação para desempenhar qualquer atividade parte internamente do indivíduo, e não do ambiente externo.Nesta perspectiva, Kasser, Koestner e Lekes apud Teixeira e Lopes (6) afirmam que quando os contextos de desenvolvimento do sujeito provêm amor, encorajamento e aceitação das perspectivas únicas de cada pessoa, as necessidades psicológicas dos indivíduos por autonomia e relações interpessoais são bem satisfeitas, aumentando a probabilidade delas se orientarem em direção a ambientes onde possam se expressar, realizar seus interesses e trabalhar para a construção de relacionamentos interpessoais, fortalecendo os valores intrínsecos, que estão ligados ao crescimento pessoal.Teixeira e Lopes (6) observaram também, que filhos de pais autoritativos valorizam a autodeterminação, o que para eles se deve ao fato de que os pais interagem mais com os filhos e os apóiam, valorizando suas idéias, o que faz com que se tornem mais persistentes, confiantes e positivamente orientados para escolher, agir e pensar futuramente.Com relação ao valor tradição, que se refere ao respeito à tradição, a humildade, fé religiosa, moderação e ciência dos limites, Teixeira e Lopes (6) observaram em sua pesquisa através de questionário,que estes filhos possuem o escore mais alto, o que pode ocorrer devido ao fato de que pais autoritativos fazem com que seus filhos compreendam melhor os objetivos deles e seus valores, facilitando assim sua internalização e reconhecimento da importância dos mesmos. Foi encontrado escore alto também, no tipo motivacional universalismo, ligado a igualdade, harmonia e justiça, o que relaciona-se com a responsividade desenvolvida em tal estilo parental.Weber et al. (8), em sua pesquisa sobre o otimismo da criança, cita estudos desenvolvidos por Baumrind, Black, Knight e Kerka, onde observou-se que filhos de pais autoritativos são mais assertivos, maduros, possuem maior responsabilidade social, conduta independente e empreendedora, são mais propensos a levar em conta a perspectiva dos outros e a entenderem as idéias dos outros,além de serem capazes de explorar a escolha de uma profissão por si mesmos.Na pesquisa citada acima, foi possível verificar também que estes filhos são mais otimistas, ou seja, atribui explicações permanentes, difundidas e internas para eventos bons, e explicações temporárias, específicas e externas para eventos ruins, tornando-se pessoas mais saudáveis, e menos propensas a depressão. Weber et al. (8) salienta que isto, em grande parte, se deve ao fato de que estes pais estão numa posição de controle das regras e ao mesmo tempo numa posição de compreensão e envolvimento, possibilitando este relacionamento bidirecional, onde fazem exigências e compreendem o lado de seus filhos, ensinam da melhor forma quais são as regras e limites para se obter sucesso, explicando os porquês, e assim favorecendo o otimismo da criança, pois ela aprende que tem capacidade para sozinha lidar com sucessos e frustrações, que pode fazer novas tentativas e obter melhores resultados, tornando-se mais persistente.A mesma autora esclarece também que filhos de pais autoritativos tendem a ser menos passivos diante de eventos ruins, eles se recuperam de derrotas mais facilmente, acreditam em novas possibilidades para atingirem o que querem e possivelmente, isto faz com que apresentem maior autonomia. Pois o estabelecimento de regras, a compreensão e a participação dos pais, permite que os filhos consigam certas conquistas com seus próprios esforços, num movimento de autoafirmação.Na pesquisa desenvolvida por Paiva e Ronzani (13) observou-se resultados significativos contra o consumo de álcool e drogas quando se é utilizado práticas educativas de suporte e envolvimento parental, característicos do estilo parental autoritativo, onde os pais são presentes de maneira mais construtiva e transmitem o apoio necessário para a resolução dos problemas .Em várias pesquisas desenvolvidas por Weber e colaboradores (5) verificou-se que crianças, filhos de pais autoritativos, são as que apresentam o maior índice de boa auto-eficácia (75%), ou seja, quanto ao juízo pessoal de sua capacidade em organizar e implementar uma atividade em situações desconhecidas,de boas habilidades sociais (62%), ou seja, possuem a capacidade de maximizar os benefícios e minimizar perdas para si e para outras pessoas de seu interesse, além de apresentarem o menor índice de estresse (5%), e o maior de auto-estima elevada (63%).Em outro estudo realizado por Hutz e Bardagir (14), observou-se que filhos de pais autoritativos apresentam menor depressão do que filhos de pais autoritários, indulgentes e negligentes. Contudo há um alto índice de indecisão entre os filhos de pais autoritativos, que pode estar refletindo dificuldades objetivas de escolha, pois estes podem estar se permitindo maior reflexão sobre a carreira, sem pressão familiar ou imposição de alternativas profissionais.Já com relação ao estilo parental autoritário, Darling e Steinberg, Kasser et al. apud Teixeira e Lopes (6) observaram que o controle excessivo exercido pelos pais pode prejudicar a internalização de valores pessoais, pois o indivíduo não cria um sistema de referência interno, ficando dependente de uma autoridade externa para estabelecer metas e atribuir valores a objetos e ações. Tais indivíduos buscam mais recompensas externas, tais como aprovação e sentimentos de segurança, além de sucesso financeiro e popularidade, valorizando mais a opinião alheia sobre si.Sendo assim, na pesquisa de Teixeira e Lopes (6) observou-se que no grupo de filhos de pais autoritários valorizava-se mais a autodeterminação que no de filhos de pais negligentes, o que os autores acreditam que ocorra para que tais filhos possam conseguir coisas extrínsecas, tais como bons salários, status, ou coisas materiais. Nesta pesquisa verificou-se também, que filhos de pais autoritários valorizam mais a realização, o que vai de encontro com a idéia de que padrões sociais de realização, tais como ambição, sucesso e competência, são objetivos pessoais destes indivíduos.Ainda com relação à pesquisa citada acima, houve escore alto no que se refere ao poder social, que está relacionado novamente a valores externos, tais como ter riquezas, prestígio, autoridade e ser influente, isto se deve ao fato de que estes indivíduos são cobrados em relação ao seu desempenho "visível".Simons et al. apud Ribas et al. (15) afirmam também que o estilo parental autoritário acrescido de interações ásperas, com uso de estratégias coercitivas e punição corporal, representam importantes fatores de risco para o desenvolvimento das crianças, sendo associados à delinquência, consumo de drogas e dificuldades de relacionamento social. Pacheco e Hutz (16) acrescentam ainda, que o emprego de punição física reflete na ocorrência mais freqüente de conflitos e de comportamento anti-social na família.Nesta perspectiva, Cecconello et al. (17) afirmam que a utilização de punição física como prática disciplinar prejudica a relação de reciprocidade e de afeto entre pais e filhos, além de elevar o nível de ansiedade dos filhos devido ao medo da punição ou de sua ameaça. O uso de tal prática disciplinar, também pode tornar a criança confusa quanto ao tipo de comportamento esperado em determinada situação, pois em ambientes como a escola, ela é estimulada a tomar decisões e, em casa não pode nem opinar.Os autores supracitados acrescentam ainda que quando se utiliza punição física severa pelos pais para imporem suas decisões e vontades sem a participação dos filhos, a necessidade básica de segurança destas crianças é tolhida, assim, estas podem apresentar baixa auto-estima, incapacidade para fazer amigos e problemas de comportamento.Para Kerka e Darling apud Weber et al. (8) os filhos de pais autoritários possuem bom rendimento nos estudos, mas são pressionados a corresponderem as expectativas dos pais com respeito à educação e à escolha profissional, possuem pouca habilidade social e alto índice de depressão, além de certa inibição no desenvolvimento da autonomia funcional,como Reichert e Wagner (18) puderam observar em seu estudo.Ainda com relação ao comportamento de filhos de pais autoritários, a pesquisa de Oliveira et al. (4) mostra que tal estilo parental da mãe correlaciona-se positivamente com comportamentos de externalização e de internalização da criança. Achenbach apud Oliveira et al. (4) cita exemplos de os comportamentos de externalização, como agressão verbal ou física, destruição de objetos e mentira, e de internalização como retração social, ansiedade e depressão. Vale ressaltar que Baldwin, Bear et al., Crockenberg e Litman, e Kopp apud Oliveira et al. (4) acrescentam que este estilo parental se torna especialmente relevante na fase pré-escolar, em que a criança toma gradualmente para si a regulação externa do adulto. Na pesquisa de Oliveira et al. (4) observou-se também que há transmissão intergeracional do estilo parental autoritário da avó materna para mãe, ou seja quanto mais a mãe percebeu a sua experiência de criação como tendo sido autoritária, mais ela própria tendeu a adotar este mesmo estilo parental com seu filho, assim é possível observar que a mulher ocidental transfere suas experiências de criação para dentro da relação conjugal, e ao cultivar uma atitude conjugal acrimoniosa, ela tende a fechar o ciclo intergeracional, com maior irritabilidade e mais tentativas de controle arbitrário de seus filhos.Em várias pesquisas desenvolvidas por Weber e colaboradores (5) pôde-se verificar que dentro dos quatros estilos apresentados, filhos de pais autoritários ficam em segundo lugar na classificação de crianças com sintomas de depressão, perdendo apenas para filhos de pais negligentes, tal resultado reflete a falta de responsividade e o excesso de exigência. Já com relação ao otimismo da criança, estas possuem o menor índice, o que as torna mais propensas ao desamparo, pois acreditam que eventos ruins são permanentes e vão se repetir.Foi possível verificar também, que estas crianças possuem o segundo pior índice de boas habilidades sociais (7%)e auto-estima-elevada (11%), empatam com o estilo permissivo, em o pior em indícios de estresse (11%) e com o estilo negligente, em boa auto-eficácia (4%).Na pesquisa de Hutz e Bardagir (14) verificou-se que pais autoritários tendem a não permitir dúvida ou hesitação na hora da escolha profissional, exigindo a tomada de decisão por parte do adolescente, ou mesmo criticando ou desacreditando eventuais decisões tomadas.Há também o estilo parental indulgente ou chamado por Weber e colaboradores (5) de permissivo, onde os pais são afetuosos, mas não dão direcionamento aos filhos. Darling apud Weber et al. (8) afirmam que tais filhos tendem a possuir um pior desempenho nos estudos, envolvem-se com problemas de comportamento e são menos independentes, contudo possuem boas habilidades sociais e baixo índice de depressão .Neste sentido, Weber e colaboradores (5) afirmam que filhos de pais indulgentes possuem o segundo maior índice de auto-eficácia e habilidades sociais, ficando atrás apenas do estilo parental autoritativo. Sendo assim, a autora ressalta que pessoas socialmente competentes apresentam relações pessoais mais produtivas, satisfatórias e duradouras, além de melhor saúde física e mental. Já com relação ao otimismo, estas crianças apresentam um baixo índice (11%), ficando na frente apenas de filhos de pais autoritários.Ainda com relação a pesquisa citada acima, a auto-estima, sendo descrita como uma orientação positiva ou negativa em direção a si, ou seja, uma avaliação de seu próprio valor, de filhos de pais indulgentes é a segunda melhor (21%), ficando atrás apenas dos filhos de pais autoritativos (63%). Em outra pesquisa, realizada por Teixeira e Lopes (6) verificou-se escores mais altos do tipo motivacional universalismo, que está relacionado a valores como igualdade, harmonia interior, sabedoria e justiça social, em filhos de pais indulgentes, o que indica uma estreita relação com os aspectos de responsividade envolvidos em tal estilo parental.Pacheco e Hutz (16) em um estudo com adolescentes infratores observaram que as mães destes jovens são menos exigentes, possuem conduta com pouca supervisão e monitoramento e são mais responsivas, com atitudes de apoio, afeto e compreensão, observando uma correlação entre o estilo parental indulgente e comportamentos infracionais.Ainda com relação ao estudo citado acima, foi possível observar que mães de jovens infratores tentam produzir modificações na conduta de seus filhos, através de aconselhamento, porém tal atitude parece não controlar o jovem, possivelmente pela imprecisão das orientações, pela ausência de reforçamento de comportamentos adequados e de contingências (castigo ou privação de privilégio) que levem ao cumprimento de regras ou ordens, o que se deve a falta de exigência no exercício parental.Com relação ao estilo parental negligente, pesquisas mostram que este apresenta os resultados mais negativos, Kerka, Darling, e Quintin apud Weber et al. (8) informam que os filhos de pais negligentes possuem dificuldade em desenvolver autoconhecimento e de diferenciar seus próprios objetivos profissionais dos pais,possuem também, baixo rendimento escolar e baixa auto-estima, além da probabilidade em terem um desenvolvimento atrasado e problemas afetivos e comportamentais.De acordo com pesquisa realizada por Weber et al. (8), tal estilo parental apresentou as menores médias de otimismo, ou seja, filhos de pais negligentes tendem a ver eventos ruins como permanentes, difundidos e internos, onde se culpam pelo acontecimento destes. Seligman apud Weber et al. (8)informa que este baixo otimismo traz sérias conseqüências, como humor depressivo, resignação, baixo rendimento e saúde física vulnerável. Ainda se referindo à pesquisa supracitada, foi possível verificar que os maiores índices de passividade da criança diante de eventos ruins está relacionada a filhos de pais negligentes, ou seja, estes indivíduos tendem a ser mais passivos diante das derrotas e desistem mais rapidamente de novas oportunidades.Em outra pesquisa realizada por Paiva e Ronzani (13) observou-se também, que a ausência de suporte parental, uma característica marcante do estilo parental negligente, pode colocar o adolescente sob maior vulnerabilidade para o uso abusivo de drogas. Além de que, como foi observado em várias pesquisas desenvolvidas por Weber e colaboradores (5), os filhos de pais negligentes possuem também, os maiores índices de sintomas de depressão (56,1%) e de estresse (73%) e os piores de boa auto-eficácia (4%), auto-estima elevada (5%) e habilidades sociais (6%).No estudo de Teixeira e Lopes(6) verificou-se que estes filhos valorizam menos a autodeterminação, que de acordo com Reppold, Pacheco, Barcagi e Hutz apud Teixeira e Lopes (6) se deve ao fato de serem menos comprometidos com os diversos aspectos da vida, possuem escores baixos no tipo motivacional segurança, que se refere a valores como senso de pertencer, ordem social, retribuição de favores, ser saudável e limpo, o que leva a pensar que indivíduos criados sob o estilo parental negligente, tenham um menor número de referências internas para guiar seu comportamento, uma vez que seus pais não são exigentes nem responsivos, o que os deixa pouco comprometidos com suas vidas e com o outro.Ainda com relação à pesquisa supracitada, verificou-se que filhos de pais negligentes apresentaram o escore mais baixo em relação à benevolência, cuja meta motivacional é o bem estar de pessoas próximas, o que sugere que a ausência de intervenções parentais (de exigência ou de responsividade) pode levar o indivíduo a não valorizar aspectos como, honestidade, humildade, prestatividade e lealdade. De modo geral, tal pesquisa observou que este estilo parental parece não favorecer o desenvolvimento de valores, uma vez que há um distanciamento na relação pai-filho.Em outro estudo com jovens infratores, desenvolvido por Pacheco e Hutz (16) foi possível verificar o uso, por parte dos cuidadores destes, recorrente da estratégia de delegar para outras pessoas o controle do adolescente e de não interferência, característico do estilo parental negligente, onde o cuidador se abdica de seu papel parental. Hutz e Bardagir (14) verificaram também, que filhos de pais negligentes possuem altos índices de ansiedade, depressão e indecisão profissional, o que possivelmente se deve ao desengajamento dos pais, que não possibilitam ao adolescente estabelecer sentimentos de confiança ou segurança em sua própria capacidade de escolha, além dos pais não oferecerem disponibilidade para troca de informações ou servirem de modelos para os filhos.Já no estudo com adolescentes, desenvolvido por Reichert e Wagner (18) verificou-se que a maioria dos jovens percebem seus progenitores como negligentes, pouco envolvidos e sem a preocupação em estabelecer algum tipo de controle sobre seus comportamentos. Os pesquisadores acreditam que isto reflete o que ocorreu durante os anos 70, onde, com as inovações educativas, preconizou-se a importância do afeto em detrimento de uma educação monitorada e controlada.

DISCUSSÃO

Com base nas informações obtidas verificou-seque o comportamento e o desenvolvimento físico, psíquico e social mais adequado estão diretamente relacionados a filhos de pais autoritativos, e os mais inadequados ou negativos, a filhos de pais negligentes. Percebe-se então, a importância de práticas parentais intermediárias, pautadas na exigência e na responsividade de forma equilibrada, pois, como já visto anteriormente, no estilo parental autoritativo os pais são exigentes e responsivos, já no estilo parental negligente, não são nenhum dos dois.Desta forma, como foi proposto neste estudo, ao se analisar a relação estabelecida no estilo parental autoritativo, verificou-se que estes pais são tanto exigentes quanto responsivos, tentam direcionar as atividades, fazem com que seus filhos compreendam melhor os seus objetivos e valores, incentivam o diálogo e exercem firme controle nos pontos de divergência, além de qualificarem e compreenderem a opinião, decisão e comportamento de seus filhos, apresentam sua perspectiva de adulto, e impõe-lhes limites e regras. Ou seja, tal estilo parental é pautado em uma comunicação bidirecional, onde se percebe amor, encorajamento e aceitação das perspectivas individuais dos filhos. Nesta relação os filhos se sentem em ambientes onde podem se expressar, onde sua opinião e decisão são validados, possibilitando sua autoafirmação e persistência, fazendo com que consigam certas conquistas com seus próprios esforços.Devido ao estabelecimento desta relação, o filho se torna mais exigente e traça metas pessoais, ele possui um padrão motivacional mais intrínseco, o que faz com que tais metas e exigências sejam intrínsecas, ou seja, pautadas no que ele acredita e deseja, permitindo que ele faça escolhas de forma mais autêntica e se sinta mais satisfeito com seu desempenho pessoal, social e profissional. Erthal (3), ao citar a filosofia de Heidegger, se refere a este modo de vida como "existência autêntica" ou "Existenz", onde se exclui tudo aquilo que possa vir a impedir sua autenticidade, ou seja, a realizar aquilo que o indivíduo realmente deseja.Assim, com o indivíduo existindo de forma autêntica, ele se torna, como foi possível observar na pesquisa, mais autônomo, assertivo e maduro, suas relações interpessoais são bem satisfeitas, possui alto índice de autodeterminação, responsabilidade social, conduta independente e empreendedora, se torna mais propenso a levar em conta a perspectiva dos outros, é mais otimista e menos passivo diante de eventos ruins, se tornando mais persistente.Parece possível observar no comportamento de pais "autoritativos" a consideração para com o filho ao tratá-lo como uma pessoa, que possui pensamentos e condutas singulares. Estas precisam ser olhadas pelos pais para que haja uma intervenção mais adequada e próxima da realidade dos filhos. Também, observa-se nessa conduta a troca entre pais e filhos, mesmo que seja uma relação assimétrica. Os pais quando estabelecem limites de ação, ao propiciar referências para eles, promovem segurança nos filhos. O comportamento dos pais quanto ao comprometimento da responsabilidade com a paternidade não somente mostra, mas também exige a resposta dos filhos, o que compõe uma relação de valor pessoal, respeito e proximidade.Já, ao observara relação estabelecida no estilo parental negligente percebeu-se que estes pais não se apresentam como agentes responsáveis por moldarem ou direcionarem o comportamento dos filhos, não são amorosos, envolvidos, compreensivos, nem promovem o desenvolvimento da auto-afirmação destes, não agem como agentes socializadores, não impõem regras e nem exigem o cumprimento delas, não oferecem disponibilidade para troca de informações, além de delegarem, muitas vezes, para outras pessoas ou instituições, o controle do filho.Assim, através da pesquisa desenvolvida, foi possível perceber que devido à relação estabelecida no estilo parental negligente, o filho não percebe interação com o pai, nem de forma exigente e ríspida, nem amorosa e responsiva, o que o deixa sem parâmetros parentais, desencadeando na dificuldade em desenvolver o autoconhecimento, no baixo rendimento escolar, na baixa auto-estima, em problemas afetivos e comportamentais, além da probabilidade em se ter um desenvolvimento atrasado. Tais indivíduos possuem também as menores médias de otimismo, boa auto-eficácia e habilidades sociais, os maiores índices de passividade diante de eventos ruins, maior vulnerabilidade para o uso abusivo de drogas, além de valorizarem menos a autodeterminação e serem menos comprometidos consigo mesmos e com os outros. Desta forma, partindo do pressuposto que a primeira relação com o mundo, a parental, que influencia as demais, não foi feita de forma satisfatória devido a ausência do exercício parental, o filho possui um menor número de referências internas para guiar seu comportamento, o que o deixa pouco comprometido com a vida do outro, resultando em baixo índice de benevolência,dificuldade no estabelecimento de relações, e dificuldade nos aspectos emocionais.Isto pode ocorrer devido ao que Rudio (2) chama de conflito psíquico, onde o indivíduo distorce o significado das coisas, procurando adaptar a realidade às exigências de seus desejos e necessidades, assim através de distorções perceptivas tenta fazer o mundo ajustar-se a ele, prejudicando sua forma de ver e se relacionar com este mundo, o que justifica a dificuldade deste indivíduo no que se refere aos aspectos emocionais, sociais.Já no que se refere aos estilos parentais pautados apenas na exigência ou na responsividade, tais como o autoritário e o indulgente respectivamente, percebeu-se nesta pesquisa que eles apresentam tanto resultados positivos, quanto negativos no que se refere ao comportamento e desenvolvimento dos filhos. Assim, na relação estabelecida no estilo parental autoritário, foi possível perceber que estes pais modelam, controlam e avaliam o comportamento da criança, são impositivos, hostis e, às vezes, insensíveis aos interesses e vontades desta, eles impõem muitos limites e regras, que ocorrem muitas vezes, através de interações ásperas, com uso de estratégias coercitivas e punição corporal. Tais pais possuem pouquíssimas atitudes de compreensão para com seus filhos, e na maioria das vezes criticam ou desacreditam em eventuais decisões tomadas por eles.Nesta relação o filho não cria uma referência interna autônoma, ficando dependente de uma autoridade externa para estabelecer metas e atribuir valores a objetos e ações. Tal relação eleva o nível de ansiedade dos filhos devido ao medo da punição ou de sua ameaça, prejudicando a necessidade básica de segurança dos filhos para com seus pais e em relação à vida.Assim, foi possível observar que a relação estabelecida no estilo parental autoritário, resulta no comportamento de indivíduos pautados no se que é esperado pelo meio externo. Estes filhos apresentam bom rendimento nos estudos e crescimento pessoal e profissional, mas possuem dificuldades de relacionamento social, baixa auto-estima, retração social e alto índice de depressão e ansiedade. Ou seja, são bons no que os outros desejam e esperam dele, repetindo a forma como se relaciona com a figura parental. Nesta relação parental não houve responsividade, ou seja, suas opiniões e comportamentos não foram validados pelos pais, o que leva a pensar, de acordo com Erthal (3) ao se referira filosofia de Heidegger,em uma existência inautêntica,onde diante das obrigações e exigências do dia-a-dia, o eu acaba por se submeter às regras do outro, sendo o outro neste caso, no primeiro momento o cuidador e posteriormente as demais pessoas e o meio ambiente com e no qual irá se relacionar. Assim, o indivíduo não se autoriza a ser aquilo que deseja ser, não existe de forma autêntica, muitas vezes nem sabe identificar o que realmente deseja, se sentindo frustrado e culpado diante da não realização da sua existência particular e escolhida.Tal movimento do indivíduo na vida, também é descrito pela autora acima como "má-fé", conceito defendido por Sartre, onde o indivíduo acredita que não há liberdade de ação na existência. Kierkegaard afirma que este indivíduo está paralisado no estágio ético, da norma, no ter que fazer algo pelo que o externo determina, onde a liberdade fica limitada pelo social.Por fim, verificou-se que na relação estabelecida no estilo parental indulgente os pais possuem uma conduta pautada no afeto e envolvimento, com poucas regras e limites, onde dão muito apoio e atenção emocional, mas pouca estrutura e direcionamento aos filhos, auxiliando o desenvolvimento da auto-afirmação destes, contudo se mostram menos disponíveis para agirem como agentes socializadores, não estabelecendo expectativas de desempenho, nem exercendo disciplina. Neste movimento, os filhos ficam resistentes às frustrações, pois são acolhidos em seu desejo e opinião e não são exigidos, nem limitados pelos pais, não percebendo que o outro/mundo também possui particularidades que podem divergir das suas, o que proporcionaria tal frustração.Desta forma, as pesquisas apontaram que como conseqüência desta relação parental, há um pior desempenho nos estudos por parte destes filhos, um baixo índice de otimismo, um maior envolvimento com problemas de comportamento e menor independência, o que possivelmente reflete, a pouca exigência exercida pelos pais, assim, por não serem cobrados, transferem este modelo para as outras situações de vida, como estudos e profissão. Contudo os filhos possuem boas habilidades sociais, baixo índice de depressão e alta auto-estima, o que ocorre devido ao exercício da responsividade, onde os pais validam o pensamento e comportamento dos filhos, fazendo com que estes se sintam valorizados na relação parental e consequentemente nas demais relações sociais.Assim, podemos hipotetizar conforme Erthal (3) afirma ao se referir à filosofia Sartreana, que o homem é aquilo que se projeta ser, onde ele surge do mundo e depois se define. Neste caso, no mundo em que os filhos de pais indulgentes surgem, não há a apresentação da importância de limites e metas, a partir disto, estes indivíduos vão se definindo neste mundo com comportamentos infratores, sem envolvimento nos estudos e no crescimento profissional, ou seja, se define de acordo com o que recebeu no mundo em que surgiu, este "mundo indulgente".Por fim, com esta pesquisa percebeu-se a importância do estilo parental no desenvolvimento e construção do ser, pois de acordo com Piccino (1), uma das premissas básicas do existencialismo é a escolha, sendo que esta depende das condições inclusas na composição homem-situação. Cabe ressaltar que neste caso, a condição inclusa nesta escolha é propiciada pelo estilo parental apresentado pelo cuidador, pois como foi possível observar, o indivíduo escolhe de formas diferentes, de acordo com o estilo parental vivenciado.Cabe ressaltar que a máxima da filosofia existencial é que primeiro o homem existe e depois cria sentido a ele, ou seja, as relações parentais são fortes influências no comportamento dos filhos, porém, não são determinantes exclusivas. Há sempre possibilidade de haver novas configurações entre o homem e o seu mundo. Conforme afirma Heidegger o homem se constrói a medida em que habita o mundo, nas suas próprias escolhas e configurações de sentido, ele pode permanecer em seu modo de ser como foi afetado pelos seus pais como pode romper e se reinventar, apesar das fortes marcas das práticas parentais.

CONCLUSÃO 

A pesquisa realizada se mostrou importante, principalmente no que se refere à relação de influência entre o estilo parental e o comportamento apresentado pelo filho, desvelando o desenvolvimento, saudável ou não, e relação deste filho consigo mesmo e com o mundo, interferindo diretamente no seu modo de existir.Percebeu-se também, que assim como Gomide (12) afirma, a literatura da área de estilos parentais é muito rica, contudo, se faz necessário mais pesquisas, principalmente no que se refere à escolha do estilo parental adotado pelo cuidador. Sendo assim, será possível perceber o que influencia em tal escolha, para que então possa se pensar em estratégias que melhor favoreçam o uso do estilo parental autoritativo, sendo este o que melhor favorece a construção de uma existência mais saudável e autêntica.Nesta perspectiva, Cecconello et al. (17) acrescentam que embora a parentalidade seja um papel exercido pelas figuras parentais, não deixa de ser uma função social, pois estes cuidadores necessitam de informações sobre o desenvolvimento de seus filhos e práticas educativas adequadas. Fazendo com que seja importantíssimo mais pesquisas na área e a realização de orientação de pais e educadores por psicólogos ou outros profissionais que tenham contato com estes.Assim, a análise fenomenológica-existencial das relações estabelecidas nos estilos parentais, nos leva a perceber a importância de tal relacionamento na construção do ser, uma vez que o indivíduo se constrói no e com o mundo, não podendo se desvincular deste que é apresentado pelas figuras parentais. Cabe ressaltar também que no existencialismo a escolha é inerente a existência humana, e dentro desta existem as condições proporcionadas pelo estilo parental, que direcionam ou influenciam na escolha e, consequentemente, a construção do ser humano.

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