Revista PSYU Nº6 – Coluna FALO (Política) – Novembro/2000

Acenda a vela e apague a luz
Acenda a vela e apague a luz
Hoje faço 25 anos, um quarto de século! Puxa, estou adulto! Olho para fora e me lembro dos dias difíceis da ditadura. Me lembro da correria e dos gritos de 77, quando a PUC-SP foi invadida. Eu era proibido, mas me fundaram. Eu era perseguido, mas lutaram por mim.

Minha sede veio por invasão, conquistada com luta. Meus móveis por doação, conquistados com empenho.

Todo ano chegam aqui novos alunos. Esfria a barriga, o medo de acabar. Muitos não sabem o que sou. Espero os velhos contarem minhas histórias. Faço deles a minha voz, mas às vezes fico rouco…

Todo ano me despeço com dor daqueles que partem. Sou útero de manifestações, semanas de psico, negociações, namoros, festas e articulações. Fui amado e desprezado. Quase acabei… Uns nem se quer me conhecem, outros me disputam.

Me lembro com carinho de cada pessoa que esteve aqui. Quantos desejos em comum, quantas lutas, aparentemente intermináveis e quantos problemas. Algumas coisas parecem se repetir, mas na verdade são um brilho novo no mesmo olhar. Mais um despertar para o que é público, coletivo e democrático; para a política com toda responsabilidade e beleza que isso tem.

Festejo com meus corajosos e amados amigos, que gestão após gestão, me mantém aberto e vivo. Espero, quem sabe, um nome, um estatuto, um livro e uma festa. Caprichos de quem está amadurecendo e anseia crescer ainda mais! Não em tamanho, em História. Afinal, não sou apenas uma sala ou móveis, sou constituído por outra coisa: pelo sonho; transcendente, dialético e mutável daqueles que já foram, são ou serão estudantes de psicologia da PUC-SP.
ANA TERESA BONILHA

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