Trabalho e motivação: quando a atividade se transforma em sofrimento

O presente artigo foi escrito em continuidade ao trabalho publicado neste mesmo endereço eletrônico e que foi intitulado “Trabalho e motivação nos dias atuais – algumas considerações”.A partir da pesquisa e descrição a respeito do tema, houve a necessidade de ampliar as questões que influenciam, fundamentalmente, na motivação de um sujeito inserido no contexto organizacional. São inúmeros os fatores que podem levar a desmotivação e, na maioria dos casos, ao sofrimento psicológico, danificando relações interpessoais, projetos de vida e o crescimento na área de produtividade.Chiavenato entende que não há como uma empresa oferecer bons produtos e serviços se não cuidar da qualidade de vida de seus funcionários. Conforme o autor escreve:“…a qualidade externa nunca é maior do que a qualidade interna: é apenas uma decorrência” (CHIAVENATO, 2006, p. 348).
Esta afirmação do autor pode ser compreendida tanto no contexto dos produtos e serviços como resultado de um trabalho executado por pessoas, que formam a organização quanto voltada para a qualidade com que cada um desempenha seu trabalho.Em outras palavras, se o sujeito recebe condições para desempenhar suas funções com qualidade e também oferece um bom trabalho, a tendência é que a excelência seja atingida no produto final da atividade laboral.É neste contexto que se situa a motivação.Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, a motivação não é dada somente de fora, ela é, exatamente como propõe a frase de Chiavenato escrita anteriormente, uma decorrência do que vem do aspecto emocional do sujeito.Assim, concordo com o entendimento de Bergamini (1997, p. 32) quando escreve que “…não é possível motivar quem quer que seja”, pois os aspectos motivacionais surgem, essencialmente, do próprio sujeito, como resultado de sua história de vida, suas necessidades de encarar desafios, do lugar reservado ao trabalho em sua vida, o modo como constrói as relações interpessoais, a disponibilidade para construir a carreira e o modo como este se organiza frente a situações não planejadas.Enfim, a motivação surge a partir da personalidade do indivíduo e, portanto, não pode ser dada de fora.

É possível dizer que toda forma digna de trabalho pode ser motivadora, porém, não podemos esquecer que há fatores externos que podem servir como facilitadores ao aumento da motivação.Estes fatores, conforme escrito no artigo anterior (“Trabalho e motivação nos dias atuais – algumas considerações”) são basicamente: salário correspondente ao mercado de trabalho e ao nível de atribuições do cargo, estrutura para realizar as atividades que o cargo determina, iluminação, ventilação, temperatura, nível de ruído, disposição da chefia em ouvir opiniões dos funcionários (ou seja, se a chefia é democrática ou autoritária), quantidade de espaço oferecido para a criatividade, nível de comunicação interpessoal, nível de reconhecimento da função, entre outras.Estes fatores, seja os referentes à condições de estrutura física, seja de estrutura de relação interpessoal, interferem no aspecto motivacional que, fundamentalmente, é originado no próprio sujeito.Quando algum aspecto intrínseco à pessoa, se desloca do que era esperado, isto é, quando, por diversos motivos, o trabalho deixa de ser uma atividade prazerosa para se tornar fonte de sofrimento, surgem as doenças psíquicas.Estas, necessitam ser tratadas, caso contrário, podem causar danos difíceis ou impossíveis de serem reparados, não somente ao aspecto psicológico do sujeito, mas ao organismo e às pessoas que com ele se relacionam.A seguir, comento as principais doenças que podem ser causadas por inúmeros fatores, dentre eles, o sofrimento no trabalho.

1. O Stress

De acordo com Andrade e Okabe apud Bergamini (1997, p. 143), o termo stress está relacionado “a qualquer estímulo ou mudança no meio externo ou interno gerador de tensão, que ameaça a integridade sociopsicossomática da pessoa, seja diretamente, por suas propriedades físico-químicas, biológicas ou psicossociais, seja indiretamente, devido ao seu significado simbólico.” Desta forma, compreende-se que o stress tem seu início a partir de problemas na interação entre indivíduo e meio externo.As situações que ocasionam o stress são aquelas na qual a pessoa se sente tensa por não conseguir dar uma resposta adequada à situação que lhe ocorre.De acordo com Bergamini (1997, p. 143), uma situação ansiolítica que provocou uma resposta considerada inadequada pelo sujeito torna-se uma ameaça a identidade e ao ajustamento deste perante o ambiente, causando um estado de tensão que, se permanente, pode levar ao adoecimento.Muitas são as causas stressoras em um indivíduo, aliás, qualquer situação de mudança vivida, traz consigo a necessidade de adaptação para manter o equilíbrio. Caso isso não aconteça, a ansiedade adquire grandes proporções e se instaura uma situação de stress, que afeta tanto o organismo quanto o aspecto psicológico do sujeito.Diversos sintomas podem ser percebidos quando se atravessa um período estressante, uma vez detectada a presença de uma situação ameaçadora que necessita da defesa do sujeito, o organismo reage aumentando a pressão arterial e a freqüência cardíaca para possibilitar melhor irrigação sangüínea e a chegada de mais nutrientes e oxigênio aos tecidos. Há também outras mudanças como o aumento da glicose sangüínea, vasoconstrição da pele e vísceras, tensão muscular, fechamento dos esfíncteres e dilatação da pupila.Estas modificações ocorrem como defesa natural ao organismo quando o cérebro detecta o perigo iminente no meio externo.

Entretanto, apesar de fazer parte da natureza humana defender-se dos perigos, quando a ansiedade é vivida de modo prolongado e intenso, o corpo pode não agüentar a sobrecarga, gerando o completo esgotamento.A saída, então para que a ansiedade não atinja níveis insuportáveis e chegue a prejudicar tanto física quanto psicologicamente o indivíduo, está, exatamente, em evitar que situações ansiógenas se prolonguem por muito tempo, isto é, buscando a resolução para estas.Por medo de perder o emprego, receber punições ou por falta de conhecimento de si mesmos, os empregados geralmente represam seus sentimentos e convivem conflituosamente, com a ansiedade que tende a aumentar à medida que as situações não se resolvem.Com isso, a necessidade de se defender das situações que causam mal-estar ocupam grande espaço na psique do sujeito e o impede de obter algum prazer com seu trabalho. De acordo com Bergamini (1997, p. 145), “…muito mais importante na determinação de tal estado de esgotamento é ser obrigado a desenvolver atividades que não tenham significado. Não é o tanto que se trabalha, mas o tipo de atividade que não traz satisfação e pode levar ao estado de stress”.Assim, ligando os termos stress e produtividade, entende-se que um está intimamente relacionado ao outro. Deste modo, torna-se claro que todos os indivíduos trabalham para se sentirem produtivos e reconhecidos, e uma vez que isso não acontece, isto é, a medida que a produção do sujeito não atinge seu objetivo principal, deixa de ter significado para si e para os outros, gerando sofrimento que pode atingir os mais altos níveis, caso não seja tratado.A seguir, veremos algumas consequências decorrentes do stress, isto é, agentes que se desencadeam na psique do trabalhador a medida que é exposto a situações que podem tornar-se insuportáveis.

1.1 Doenças somáticas             

As doenças psicossomáticas podem ser definidas como transtornos nos quais os fatores psíquicos influenciam no estado do corpo e vice-versa. Em síntese, William Motsloy apud Zimmerman (1999, p. 239) escreve o seguinte: “Quando o sofrimento não pode expressar-se pelo pranto, ele faz chorarem os outros órgãos.”             

E o trabalho, que conforme escrito anteriormente, pode ser fonte de satisfação ou de sofrimento, também é responsável pela somatização do indivíduo a medida que liga-se a insatisfação.            

Como reação ao sofrimento advindo do trabalho, a carga stressante pode gerar diversas doenças, que aparecem de acordo com a personalidade e o organismo do sujeito. As comorbidades ao stress mais comuns são: gastrite, depressão, dificuldade de concentração, entre outras. Além disso, a vulnerabilidade do sistema imunológico permite que o organismo torne-se porta de entrada para os vírus e outras doenças.             

Deste modo, faz-se necessário estar atento as modificações do organismo e buscar identificar as fontes stressantes que estão ocasionando a somatização. De acordo com Kaplan, Saddock e Grebb (1997, p. 707) no Compêndio de Psiquiatria, os estudos mais recentes acerca deste assunto, demonstram que as pessoas que conseguem enfrentar o stress de modo otimista e não pessimista, “estão menos propensas a desenvolverem um transtorno psicossomático e, se o fazem, são capazes de se recuperarem mais facilmente”.            

Neste ponto, o que se observa é que, apesar das dificuldades vividas com as somatizações, aqueles que estão mais atentos aos fatores que as desencadeam e buscam uma saída para os problemas, isto é, não sucumbem com pessimismo, tendem a resolver a situação de modo mais fácil e rápido.


1.2 Fadiga    
         

Assim como a somatização, a fadiga também pode ser considerada um efeito do stress ocupacional. É caracterizada por uma profunda falta de energia, ocorrendo também a sensação de fraqueza e de estar exausto, mesmo que a carga de trabalho não seja grande.Estas sensações, sem dúvida, dificultam a realização das atividades diárias que o indivíduo está acostumado e gera uma grande insatisfação e dificuldade de realização das tarefas mais cotidianas da vida deste.Junto a estas sensações, surge o sentimento de incapacidade perante as tarefas obrigatórias, uma grande falta de motivação e diminuição do desejo sexual, ou seja, todas as tarefas passam a ser encaradas como obrigações e tornam-se um verdadeiro fardo a ser carregado pelo sujeito.As hipóteses que permitem compreender as causas da fadiga são aquelas relacionadas, não somente à quantidade de trabalho que um indivíduo atribui a si mesmo para ser feito, mas ao significado que esta atividade laboral está adquirindo em sua vida.Em outras palavras, o que se pode estabelecer como hipóteses à sensação de fadiga é o tipo de atividade que o trabalhador realiza e o lugar que este trabalho, em específico, está ocupando em seu cotidiano.O excesso de trabalho pode estar mascarando uma dificuldade de integrar, de modo mais saudável, a vida pessoal e de relacionamentos sociais. A partir desta dificuldade mal compreendida, o sujeito passa a viver uma rotina ansiosa e no limite, o que o impede de relaxar e descansar o quanto necessita.O excesso de carga de trabalho e altas exigências (tanto aquelas que são vindas de fora, isto é do trabalho, quanto as que surgem em si mesmo, como o perfeccionismo) podem levar a fadiga, pois não há descanso.

A alta absorção do trabalho na vida do sujeito faz com que nada, nenhuma outra atividade caiba em sua rotina e mesmo assim, 24 horas em um dia torna-se muito pouco para realizar tudo o que se deseja produzir.A conclusão a tudo isto está em que os seres humanos tem limitações e necessitam de tempo para descansar e realizar outras atividades. Caso isso não aconteça, a qualidade do trabalho torna-se prejudicada e a qualidade de vida, praticamente inexiste.A forma de não permitir que haja fadiga está quando se consegue a difícil missão de administrar o tempo e a pressão do trabalho, resolver conflitos com colegas, buscar atividades que goste de fazer, cultivar amizades, ser realista com suas limitações e procurar não fazer o trabalho todo de uma só vez.Além disso, como diz o ditado popular: “se você não quer que chegue segunda-feira é porque há algo errado com seu trabalho e se você não quer que chegue o fim de semana, é porque há algo errado com seu casamento.”Este dito de sabedoria popular, pode dar boas pistas sobre a origem da fadiga, ou seja, deve-se estar atento para que o trabalho não torne-se um fardo pesado a ser carregado, para isso, o indivíduo deve buscar compreender as fontes da exaustão em sua atividade.

1.3. Depressão

De acordo com o Compêndio de Psiquiatria de Kaplan, Sadock e Grebb (1997, p. 494), o transtorno depressivo maior (a mais grave forma de depressão) acomete cerca de 15% das pessoas ao longo de suas vidas, podendo a chegar a 25% nas mulheres.Na psiquiatria entende-se que há varios graus de acometimento da depressão e sabe-se também que as causas desta doença podem ser as mais diversas. De acordo com Kaplan, Sadock e Grebb (1997, p. 494): “os fatores causais podem ser divididos artificialmente em fatores biológicos, genéticos e psicossociais”.A respeito das causas biológicas, entende-se que faz parte do diagnóstico compreender a situação depressiva em sua amplitude. Por isso, faz-se necessário levar em alta conta os avanços nas investigações a respeito do sistema límbico, em relação ao hipotálamo e ao núcleo amigdalino.O diagnóstico mais amplo da doença, considerando-se suas possíveis causas orgânicas, genéticas e psicossociais, facilitam no tratamento do sujeito depressivo, trazendo maiores beneficios quando integrados os tratamentos psicofarmacológicos e psicoterápico.Tendo em vista o objetivo deste texto, nos ateremos com maior profundidade aos fatores psicossociais, que tem grande importância na constituição do transtorno depressivo e que também, em grande parte dos casos, são desconsiderados pelo sujeito como causa a seu desconforto.             

Antes da exposição a respeito dos fatores psicossociais, é interessante observar que a principal característica da ocorrência de depressão está na perda de energia acompanhada por um número de sintomas, que são os seguintes:

Estado deprimido, quando há sensação de tristeza a maior parte do tempo;

Perda de apetite;

Dificuldade de dormir (hiposonia) ou dormir demais (hipersonia);

Falta de interesse em atividades prazerosas, anedonia;

Dificuldade de concentração;

Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;

Alguns distúrbios psicomotores, presença de agitação ou retardo psicomotor;

Baixa auto-estima;

Sentimento de culpa sem causa definida, sensação constante de inutilidade;

Pensamentos recorrentes acerca de morte e suicidio.[1]

Alta intolerância a perdas e frustrações;

Alto nível de exigência consigo próprio;

Grande importância ao julgamento dos outros;

Sentimento de perda do amor de pessoas importantes;

Sensação constante de que não conseguirá realizar um desejo inalcançável.  De acordo com o DSM-IV, o diagnóstico deste transtorno é feito da seguinte forma: dentre alguns sintomas estabelecidos (basicamente constituídos pelos sintomas expostos anteriormente), é necessário que haja cinco ou mais relacionados para haver depressão. Nestes, um é obrigatório: a presença de um “estado deprimido ou falta de motivação para as tarefas diárias, há pelo menos duas semanas”. Após a coleta das respostas a estes sintomas, o diagnóstico é feito classificando-se os dados em 3 grupos, que são os seguintes:  

depressão menor: correspondente a 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedonia;

distimia: ocorrência de 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido durante dois anos, no minimo;

depressão maior: quando há 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedonia. Deste modo, após apresentar os principais sintomas decorrentes da depressão, pode-se expor com maior alcance os sintomas que interferem na qualidade de vida e que estão associados a fatores psicossociais da vida do sujeito.O fator de maior atenção desencadeante do processo depressivo é a perda. Apesar deste termo (perda) ser muito amplo, ele apresenta algumas singularidades, que devem ser levadas em conta quando o profissional Psicólogo ou Psiquiatra buscar diagnosticar quadros da doença.Quando há depressão, sem dúvida houve uma perda de algo importante na vida do sujeito, e esta não precisa estar associada a um objeto concreto (como perda de emprego, de alguém amado, entre outros), mas a algo que, muitas vezes, não parecia ter o grande valor que realmente tem na vida de todos (como por exemplo, a perda do caráter desafiador que toda atividade laboral deve ter).Zimerman (1999, p. 219) organiza as possíveis perdas sofridas e desencadeantes deste transtorno em alguns níveis que se compõem da seguinte forma:  

1. Perda de objetos necessitados (aqueles que são tão fundamentais que se amam e odeiam): Corresponde a situação de perda real ou fantasiada de que algo lhe foi tirado e com isso, foi perdido o objeto protetor. Deste modo, a tendência do sujeito é sentir-se desamparado, sem defesa, com pouca auto-estima de que irá conseguir superar esta perda sentida como irreparável.

2. Perda de objetos reasseguradores da auto-estima do indivíduo: Esta sensação acomete pessoas que necessitam, em grande parte das vezes, de garantias que estão sendo amadas e valorizadas. Quando estas pessoas perdem os objetos que sentiam ser o ponto de sustenção para sua auto-estima, tendem a deprimirem-se. É interessante notar que a sensação de estar sendo aceito e valorizado não advem somente de pessoas, um sujeito pode perceber que seu cargo e sua função o proporciona esta sensação e, caso o perca, também perde toda a sustentação de sua auto-estima;

3. Perdas de funções da mente: Ou seja, quando o sujeito se depara com uma espécie de involução. Quando há perda de coisas que anteriormente foram conquistadas no mundo exterior. Refere-se aos momentos em que há perdas de pais e amigos por envelhecimento, os filhos crescem e saem de casa, o sujeito se aposenta do trabalho, perde-se a juventude e a sensação de que a morte se aproxima facilita o estabelecimento do estado depressivo. Neste caso, a sensação de não ser mais o mesmo, exacerba as limitações e o adoecimento psíquico.

Nos três níveis de perda anteriormente escritos, além dos sintomas próprios que podem aparecer e desencadear a depressão, um é essencial: a sensação de vazio e empobrecimento diante das situações.É este sentimento que dificulta o sujeito de buscar tratamento diante de um processo depressivo. O vazio é acompanhado de descrença em sua própria força interior e a luz no fim do túnel fica difícil de ser enxergada. Por isso, é necessário estar atento a decorrência dos sintomas e as mudanças de comportamentos de si mesmo e dos outros que o cercam. Como visto, há diversas causas de depressão que podem ter seu estopim no trabalho e o tratamento varia de acordo com estas.No tratamento da depressão (fundamentalmente a relacionada à perdas), é necessário que o profissional esteja atento para diferenciar se o objeto que o individuo sente ter perdido é um objeto (pessoa, cargo ou outra coisa de importância) mais calcado na realidade ou muito idealizado.

Caso seja a primeira opção, o tratamento está em fortalecer a auto-estima para que se busque caminhos de superar a perda que aparenta ser impossível de ser sanada. Todas as pessoas que perdem algo muito importante em suas vidas, necessitam de um tempo de luto para digerirem a perda que sofreram.Caso o objeto perdido estivesse muito idealizado, isto é, servindo de ponto de escoramento à psique do sujeito, o tratamento torna-se um pouco mais trabalhoso, mas ocorre no sentido de fortalecer o ego para que se compreenda que não está desamparado e nem entregue a objetos maus e perseguidores que podem lhe destruir a qualquer momento. O fortalecimento da defesa a si mesmo (percepção de força interna) é essencial no tratamento destes casos.Além disso, diante de uma perda profunda uma outra consequência vivida pelo sujeito pode ser um constante sentimento de vingança que o impede de conquistar outras coisas na vida devido a quantidade de energia despendida pelo ressentimento ao objeto perdido. Este estado de sofrimento é denominado por Zimerman (1999, p. 223) de “Complexo de Conde de Monte Cristo” e, segundo compreendo pode ser visto em larga escala nas situações judiciais e outras que acabam por impedir que o sujeito dê continuidade a seu projeto de vida.

Como tratamento a esse estado depressivo específico, é necessário que o sujeito não abra mão de seus direitos e reconheça seus sentimentos pelo objeto perdido. Ou seja, que busque modos de obter reparação de eventuais danos sofridos, mas que esteja atento para que essa busca não o paralize em seus projetos e em suas conquistas.Estas são algumas das afecções decorrentes da insatisfação no trabalho. As atividades laborais ocupam grande parte de nosso dia-a-dia e dos anos de nossa vida, por isso, afetam com grande intensidade o modo de vida de uma pessoa.Por parte das empresas, cabe oferecer condições favoráveis para que o sujeito possa se desenvolver, estando sempre atenta e buscando dispor “a pessoa certa no lugar certo”, pelo menos pelo tempo possível. Do lado do trabalhador, cabe conhecer a si mesmo, bem como analisar o trabalho que realiza, estabelecer metas de vida que deseja atingir e principalmente, estar atento à qualidade de vida que está proporcionando a si mesmo.

Referências

BERGAMINI, C. W. Motivação nas organizações. 4ª. Ed., São Paulo: Atlas, 1997.

CHIAVENATO, I. Administração – teoria, processo e prática. 3ª. Ed., São Paulo: Makron Books, 2000.

KAPLAN, H.I.; SADOCK, B.J. e GREBB, J.A. Compêndio de Psiquiatria – Ciências do comportamento e Psiquiatria Clínica. 7ª. Ed. Porto Alegre: Artmed, 1997.

VARELLA, D. conteúdo disponível em: http://drauziovarella.ig.com.br/artigos/depressao.asp

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica e clínica – uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 1999.

 
[1] É possível visualizar esta citação também no site do Dr. Drauzio Varella, em: http://drauziovarella.ig.com.br/artigos/depressao.asp

Dados da autora: Thalita Lacerda Nobre é Psicóloga Clínica graduada pela Universidade Católica de Santos, Doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-SP, Especialista em Gestão Estratégica de Recursos Humanos pelo Depto de Ensino e Pesquisa do Exército brasileiro/Universidade Castelo Branco (Cátedra Unicef), Consultora Jr. em Recursos Humanos credenciada à FUNDAP, Psicóloga da Unidade de Especialidades Médicas de Vicente de Carvalho – Guarujá/SP e trabalha em consultório particular.

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